Cancro da mama: disseminação e o interruptor molecular

Estudo publicado na revista “Molecular Cell”

03 outubro 2013
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Investigadores dinamarqueses desvendaram os mecanismos moleculares que suspeitam estar envolvidos no crescimento e disseminação das células cancerígenas do cancro da mama, dá conta um estudo publicado na revista “Molecular Cell”.
 

Os investigadores da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, referem que existem, na superfície de todas as células, recetores que controlam a comunicação entre a célula e o ambiente circundante. Apenas algumas proteínas são capazes de se ligar a estes recetores enviando sinais para um determinado processo celular relevante, como o crescimento, divisão, produção de proteínas e morte.
 

Neste estudo os investigadores, liderados por Jesper Velgaard Olsen, analisaram um recetor que é conhecido por desempenhar um papel importante na saúde e doença, o recetor FGFR2b. Este recetor está envolvido no desenvolvimento de órgãos internos no embrião, particularmente os pulmões. Caso o sinal via FGFR2b seja afetado, o desenvolvimento normal do tecido deste órgão fica comprometido. Há algumas evidências que também sugerem que o FGFR2b desempenha um papel importante em determinados tipos de cancro da mama.
 

O estudo apurou que a ligação de duas proteínas de sinalização ao recetor tem efeitos completamente distintos: uma afeta a divisão celular enquanto outra controla o movimento celular. Os dois processos são essências para um desenvolvimento celular saudável, mas caso saia fora do controlo, pode ter consequências graves, nomeadamente a estimulação do crescimento celular e o desenvolvimento de metástases.
 

“Mapeámos o interruptor molecular que está envolvido em dois processos biológicos importantes. Por outras palavras, localizamos o local de ligação que pode causar o aumento da disseminação das células do cancro da mama e assim o desenvolvimento de metástases”, referiu o investigador.
 

Apesar de o estudo se ter restringido às células da mama humanas e tecido de ratinhos, os investigadores acreditam que estes resultados poderão ajudar a ajustar os tratamentos para o cancro da mama humano.
 

De acordo com Jesper Velgaard Olsen, o recetor FGFR2b poderá tornar-se num novo biomarcador para o diagnóstico e tratamento de cancro. ”Quanto mais conhecimento temos sobre os sistemas de transmissão do organismo, mais fácil é de direcionar o tratamento. No futuro seremos capazes de personalizar o tratamento tendo por base o perfil celular do paciente”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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