Cancro da mama: baixa adesão ao programa de rastreio

Estudo da Universidade de Aveiro

05 novembro 2012
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Há "falta de articulação" entre os serviços de saúde público-privados e um envolvimento "precário" dos profissionais de saúde no programa de rastreio do cancro da mama, refere um estudo realizado por uma investigadora da Universidade de Aveiro (UA).
 

O estudo de Célia Freitas, a que a Lusa teve hoje acesso, teve como objetivo perceber por que motivo apenas 50% das mulheres do concelho de Aveiro aderem ao programa de rastreio da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC).
 

A investigadora justifica esta adesão com o facto de os profissionais de saúde "encaminharem as suas utentes para o radiologista privado", devido a "algum desconhecimento sobre o funcionamento do programa".
 

De acordo com Célia Freitas, esta situação "reflete alguma falta de articulação entre os serviços de saúde público-privados e o precário envolvimento dos profissionais de saúde neste programa".
 

A investigadora diz que esse cenário existe "talvez devido à maior responsabilização da LPCC pela sua organização e operacionalização no terreno, devendo as unidades de saúde apresentar estratégias no seu plano de ação, a fim de promover o programa de rastreio".
 

Para além dos fatores relacionados com o próprio sistema de cuidados de saúde, a investigadora detetou também a existência de "questões de ordem individual" que "bloqueiam" a adesão das mulheres do concelho de Aveiro ao plano de rastreio.
 

"É o caso das crenças individuais que estão relacionadas, por exemplo, com a fiabilidade do exame realizado na unidade móvel junto do centro de saúde, a sobrevalorização da ecografia mamária, o desleixo com a própria saúde, os exames preventivos, o esquecimento e a falta de tempo", acrescentou Célia Freitas, investigadora.
 

Adicionalmente, Célia Freitas refere que "as mulheres que não frequentam os centros de saúde ainda referem ser pouco prático o resultado do exame ser enviado para o médico de família, o que lhes impossibilita mostrar ao médico que costumam consultar".
 

De acordo com este estudo, o medo da deteção da doença e a dor ou o desconforto que o exame provoca nas mulheres estão também entre os fatores que contribuem para a não adesão ao plano de rastreio.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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Um estudo com enorme fiabilidade pelas parcerias envolvidas e especialmente pela investigaçao em si.
Parabéns à U.A e em especial à sua investigadora!

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