Cancro da bexiga: novo fármaco mostra-se eficaz

Estudo da Universidade de Nova Iorque

08 junho 2016
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Um novo fármaco que ajuda o sistema imunitário a atacar os tumores é altamente eficaz contra o cancro da bexiga avançado, dá conta um estudo recentemente apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.
 

Os investigadores da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, constataram que as injeções do agente experimental atezolizumab diminuíram o tumor em pelo menos 30% e impediram o crescimento de um novo tumor em 28 dos 119 pacientes.
 

Arjun Balar, um dos autores do estudo, referiu que o atezolizumab é a primeira terapia a ser aprovada em mais de três décadas para esta doença, e é o novo tratamento standard para os pacientes cuja terapia inicial com fármacos quimioterápicos à base de platina falharam. “Pode ser a única terapia que alguns pacientes necessitam”, referiu, em comunicado de imprensa.
 

O tratamento atual de primeira linha para o cancro da bexiga é a cisplatina, um fármaco que mata as células tumorais ao impedir que estas reparem danos no seu ADN. Este fármaco, que começou a ser utilizado desde 1970, aumenta a sobrevivência dos pacientes para pouco mais de um ano. No entanto, cerca de metade dos pacientes, a maioria dos quais são mulheres idosas com outros problemas de saúde graves, não podem tomar este fármaco devido aos seus efeitos tóxicos na função nervosa, renal e na audição. Adicionalmente, muitos pacientes desenvolvem resistência à cisplatina e a outros agentes quimioterápicos similares ao longo do tempo.
 

O estudo que foi conduzido em centros médicos dos EUA, Canadá, e Europa apurou que o atezolizumab foi bem tolerado por todos os pacientes envolvidos. Os participantes relataram casos relativamente leves de fadiga, prurido, diarreia. Estes sintomas descritos são em menor número e menos graves que os associados à cisplatina ou alternativas similares.
 

Os investigadores verificaram também que metade dos pacientes respondeu à nova terapia em 15 semanas, quase todos (75%) sem sinais detetáveis de crescimento do cancro, com uma dose de 1.200 miligramas a cada três semanas. Os 21 pacientes que responderam ao tratamento continuam a ser monitorizados, sendo que alguns deles continuam a ser tratados com atezolizumab desde do início do estudo, em maio de 2014.
 

Sete dos pacientes que inicialmente responderam à terapia tiveram uma recidiva e foram submetidos a outras terapias, juntamente com aqueles que não responderam inicialmente à atezolizumab.
 

Nos pacientes que responderam à terapia, os tumores reduziram ou desapareceram como parte de uma resposta imunológica sustentada.
 

O investigador refere que os “inibidores de ponto de controlo”, como o é o caso do atezolizumab, são concebidos para treinar o sistema imunitário para atacar as células tumorais ao bloquear a ação das proteínas que ajudam as células cancerígenas a evitar o reconhecimento do sistema imunitário.  
 

Apesar de o mecanismo exato de ação ainda não estar esclarecido, os investigadores referem que o novo medicamente bloqueia a interação da proteína PD-L1 com o seu recetor, o PD-1. Esta ligação do tipo “chave e fechadura” é essencial para a deteção das células tumorais pelos linfócitos T.  
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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