Cancro: cura pode estar nos intestinos

Estudo publicado na revista “Nature”

05 agosto 2013
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A saúde e funcionamento do trato gastrointestinal podem ser fulcrais na cura do cancro, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 
Os tumores de diferentes tecidos e órgãos podem ser eliminados através de elevadas doses de quimioterapia e radiação, mas o desafio atual para o tratamento do cancro em estádio avançado e metastizado é conseguir eliminar o tumor sem matar o paciente.
 
De acordo com os especialistas, caso o trato gastrointestinal se mantenha saudável, a possibilidade de sobrevivência aumenta exponencialmente. Neste estudo, os investigadores da University of Michigan School of Dentistry, nos EUA, descobriram o mecanismo biológico que preserva o trato gastrointestinal dos ratinhos que foram sujeitos a doses letais de quimioterapia.
 
“Agora temos uma forma de o paciente tolerar doses letais de quimioterapia e radioterapia. Desta forma, o cancro em estádio avançado e metastizado pode ser erradicado através do aumento das doses do tratamento”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Jian-Guo Geng.
 
Os investigadores descobriram que quando determinadas proteínas se ligam a moléculas específicas presentes nas células estaminais do intestino, o processo de regeneração e de reparação deste órgão é acelerado. As células estaminais curam naturalmente os tecidos e órgãos danificados. Contudo, a quantidade de células estaminais habitualmente presente no intestino não é capaz de reparar os danos provocados pelas doses letais de quimioterapia e radioterapia que são necessárias para eliminar os tumores.
 
No entanto, na presença de um elevado número de células estaminais, o trato gastrointestinal fica protegido, o que significa que o paciente pode ingerir nutrientes, o organismo pode também executar outras funções importantes e as toxinas bacterianas no intestino ficam impedidas de entrarem na circulação.
 
Estes fatores poderão fornecer ao paciente a capacidade de sobreviver a doses elevadas de tratamento, até que tumor seja erradicado. No estudo, 50 a 75% dos ratinhos tratados com a molécula sobreviveram a doses letais de quimioterapia. Por outro lado, os ratinhos que não foram tratados com a molécula morreram.
 
“Se o intestino continuar a funcionar bem, o paciente pode viver mais tempo. Agora encontramos uma forma de proteger o intestino. O próximo passo é conseguir uma taxa de sobrevivência de 100% dos animais injetados com a molécula “, conclui o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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