Cancro: como escapa à imunoterapia?

Estudo publicado na revista “eLife”

04 janeiro 2017
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Investigadores americanos descobriram como um tipo de células imunitárias, as células supressoras derivadas da linhagem mieloide (MDSCs, sigla em inglês), permitem que as células tumorais contornem o ataque do sistema imunitário. O estudo publicado na revista “eLife” pode assim ajudar a melhorar a imunoterapia contra o cancro.

 

As células tumorais causam uma expansão extensiva das MDSCs, que estão associadas a um pior prognóstico nos pacientes com vários tipos de cancro. Neste estudo, os investigadores do Instituto Oncológico de Roswell Park, nos EUA, utilizaram um sistema de microscopia de ponta para visualizar os linfócitos T, os “assassinos” profissionais das células cancerígenas.

 

Os investigadores, liderados por Sharon Evans, constataram que as MDSCs são capazes de atenuar a reação do sistema imunitário ao cancro ao impedir que os linfócitos T entrem nos nódulos linfáticos, locais onde a resposta imunológica ao cancro é elevada. Isto ocorre porque as MDSCs removem uma molécula, a L-seletina, da superfície dos linfócitos T a qual é essencial para que estas células consigam viajar até aos nódulos linfáticos. Desta forma, a resposta imune protetora contra o cancro fica severamente comprometida.

 

Tendo em conta o movimento rápido das células na circulação, um dos resultados mais surpreendentes do estudo foi o facto das MDSCs atuarem diretamente nos linfócitos T limitando o seu tráfico generalizado para os nódulos linfáticos. Verificou-se que este efeito das MDSCs não se restringiu apenas aos linfócitos T, mas incluiu os linfócitos B que são responsáveis pela produção de anticorpos protetores contra as células tumorais.

 

Na opinião de Sharon Evans, estes achados podem conduzir à identificação de novos alvos terapêuticos capazes de reforçar os mecanismos de proteção do organismo contra o desenvolvimento de doença metastática.

 

A investigadora adianta que estas informações podem ajudar os médicos a determinar quais os pacientes com cancro que são mais propensos a beneficiar da imunoterapia baseada nos linfócitos T.

 

Amy Ku, uma das autoras do estudo, acrescenta que uma vez que se verificou que as MDSCs são capazes de atuar a longas distâncias de forma a impedir a ativação da resposta dos linfócitos T aos tumores, esta investigação reforça o facto de o perfil de rotina dos constituintes celulares dentro dos tecidos nem sempre fornecer o quadro completo no cancro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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