Cancro colorretal: teste prevê recidiva e eficácia da quimioterapia

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

11 julho 2016
  |  Partilhar:

Os fragmentos de ADN tumorais em circulação podem ser utilizados para avaliação do risco de recidiva do cancro colorretal e da eficácia da quimioterapia após cirurgia, defende um estudo publicado na “Science Translational Medicine”.
 

Ainda é muito difícil decidir a que o método de tratamento um paciente com cancro do cólon de estadio II deve ser submetido. Atualmente são feitas avaliações através da combinação de uma série de características clínicas e patológicas, como a aparência do tumor sob o microscópio ou presença de marcadores genéticos específicos do cancro que têm significado prognóstico.
 

Contudo, os métodos atuais são imprecisos e, como resultado, os médicos tendem a adotar medidas preventivas. Cerca de 40% dos pacientes em estadio II do cancro do cólon são submetidos ao rigor e aos riscos da quimioterapia adjuvante, apesar de apenas uma pequena fração ter de facto uma recidiva.  
 

Jeanne Tie, a líder do estudo, refere que o tratamento habitual inclui seis meses de quimioterapia, mas não há forma de saber se o tratamento é eficaz. Contudo, através dos recentes avanços é possível capturar e fazer um perfil dos fragmentos de ADN tumoral deixados no sangue pelas células cancerígenas após a sua morte. As mutações neste ADN tumoral em circulação (ctDNA, sigla em inglês) podem funcionar como biomarcadores cancerígenos específicos.
 

Para o estudo, os investigadores do Instituto Ludwing para a Investigação no Cancro, em colaboração com investigadores do Instituto Eliza Hall e Walter de Investigação Médica, na Austrália, recolheram amostras de tumores de 239 pacientes com cancro colorretal em estadio II.
 

Foi analisado o ADN das amostras tumorais e realizados ensaios personalizadas que tinham por alvo as mutações genéticas específicas de cada paciente. Os ensaios foram aplicados a amostras de sangue retiradas dos pacientes quatro a 10 semanas após a cirurgia para remoção dos tumores.
 

Os investigadores verificaram que 20 dos 230 pacientes apresentaram um teste positivo para o ctDNA, e deste grupo, 80% teve recidiva do cancro em cerca de dois anos. Dos 164 pacientes com teste negativo para o ctDNA, apenas 10% teve uma recidiva.
 

Peter Gibbs explica que um teste positivo para o ctDNA significa que as células cancerígenas provenientes do tumor original estejam escondidas algures no organismo.
 

Os investigadores também analisaram se o ctDNA poderia ser utilizado para medir o impacto dos tratamentos de quimioterapia. Seis dos pacientes com teste positivo para ctDNA após a cirurgia também foram submetidos à quimioterapia adjuvante. Após terem continuado a recolher amostras de sangue desses pacientes, os investigadores descobriram que em dois deles os resultados dos testes passaram de positivos após cirurgia para negativos após a quimioterapia.
 

"Para um oncologista, o aspeto provavelmente mais emocionante de um teste de rastreio ctDNA é que pode ser utilizado não apenas para determinar o risco de recidiva, mas também como um marcador em tempo real dos benefícios da quimioterapia", concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.