Cancro: células dendríticas ainda são um tratamento experimental

Defende diretora do Serviço de Pediatra do IPO/Lisboa

28 outubro 2014
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As crianças com cancro tratadas no IPO/Lisboa não recebem células dendríticas por ser um tratamento experimental e faltar fundamentação científica, defende a diretora do Serviço de Pediatra da unidade.
 

“É importante dizer que aquelas terapêuticas que não fazemos – nomeadamente as células dendríticas –, não as fazemos por falta de fundamentação científica e por não haver qualquer indicação para serem feitas”, revelou à agência Lusa Filomena Pereira.
 

A especialista que dirige um serviço que acolhe anualmente cerca de 160 novas crianças com cancro, das quais perto de 30 acabam por morrer, sublinhou que esta opção não tem qualquer razão económica. “Não tivemos qualquer constrangimento, corte, redução ou recusa em nenhum tipo de terapêutica”, disse.
 

A médica lamenta toda a confusão que se segue aos anúncios nas redes sociais de campanhas para a ida de crianças com cancro até clínicas onde são administradas as células dendríticas.
 

Alguns estudos indicam que as células dendríticas – que atuam ao nível do sistema imunitário e são utilizadas em tratamentos ainda experimentais – “têm alguns efeitos que mais não são do que prolongar alguns meses a vida de alguns doentes com determinado tipo de tumores, nomeadamente da próstata e alguns tipos de tumores cerebrais”.
 

Filomena Pereira refere que não há qualquer indicação para a aplicação de células dendríticas em pediatria e, dentro das células dendríticas, "é importante fazer a diferenciação entre o que é investigação séria e o que é negócio”.
 

Para Filomena Pereira, “há um centro europeu e um nos Estados Unidos onde está a ser feita investigação séria sobre a utilização de células dendríticas e, depois, há as redes de negócios montadas, por exemplo, na Alemanha”.
 

“É bizarro que, na clínica tão anunciada por aí fora, os doentes [daquele país] não possam ser tratados, porque a clínica não tem autorização para tratar os doentes alemães”, sublinhou.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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