Cancro: alternativa às biópsias em desenvolvimento

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

04 abril 2019
  |  Partilhar:
Uma equipa de engenheiros e médicos está a desenvolver um dispositivo que pode ser usado no pulso para recolher células cancerígenas, diretamente e de forma contínua, do sangue do paciente.
 
O novo dispositivo em desenvolvimento na Universidade de Michigan, EUA, poderá ajudar os médicos a diagnosticarem e a tratarem o cancro de forma mais eficaz.
 
“Ninguém quer fazer uma biópsia. Se conseguirmos obter células suficientes do sangue, poderemos usá-las para perceber a biologia do tumor e direcionar os cuidados aos pacientes”, observou Daniel Hayes, autor sénior do estudo.
 
Os tumores libertam mais de 1.000 células cancerígenas na corrente sanguínea em apenas um minuto. Os métodos atuais para recolher células cancerígenas do sangue obtêm amostras com cerca de 10 células cancerígenas, sendo que muitas nem sequer recolhem células, mesmo em pacientes com cancro avançado.
 
A ideia é que o paciente use o dispositivo no hospital durante cerca de duas horas. O aparelho irá capturar células cancerígenas diretamente da veia do paciente, de forma contínua, podendo analisar volumes de sangue significativamente maiores.
 
O dispositivo foi testado em cães saudáveis que tinham recebido injeções de células cancerígenas humanas (que são eliminadas pelo sistema imunitários dos animais em apenas algumas horas, sem outras consequências).
 
Durante as primeiras duas horas após a injeção, os cães foram ligados ao dispositivo que analisou entre 1 a 2% do sangue dos animais. Durante esse período foram recolhidas amostras de sangue a cada 20 minutos e as células cancerígenas nessas amostras foram recolhidas por um chip integrado no dispositivo. 
 
O chip conseguiu recolher 3,5 vezes mais células cancerígenas por milímetro de sangue do que as amostras obtidas através de recolha de sangue. 
 
“É a diferença entre ter uma câmara de segurança que obtém a imagem de uma porta a cada cinco minutos ou que produz um vídeo. Se um intruso entrar entre as capturas das imagens, não nos apercebemos”, explicou Sunitha Nagrath, investigadora que está a liderar o desenvolvimento do dispositivo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar