Canadá: um dos centros da epidemia

OMS recomenda que não se viaje para Toronto

27 abril 2003
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Os números de casos de pneumonia atípica não param de aumentar. Na China, onde já ocorreram 139 mortes provocadas pela Síndroma Respiratória Aguda Grave (Sars), há mais de três mil pessoas contaminadas. Segundo a Organização Mundial de saúde, a doença já matou 326 pessoas em todo o mundo. No Canadá mais de 269 casos foram registados. E a capital do país, Toronto, é a cidade mais afectada pelo vírus. A doença, que se terá propagado a partir da China, também afecta, de um modo surpreendente, o Canadá. Segundo o departamento de Saúde de Ontário, a Sars terá sido disseminada no país através de um agente de saúde que provavelmente está infectado pelo vírus.
 

 

Diz ainda o documento, que o indivíduo pode ter colocado centenas de pessoas em risco depois de se recusar a obedecer a um pedido de quarentena voluntária, tendo-se tornado «intratável» e «ameaçador».
 

 

Hanif Kassam, representante médico de saúde da região de York, no norte de Toronto, declarou, durante uma conferência de imprensa, que o homem, cujo nome não foi divulgado, não deveria ter participado num velório nem em missas no fim-de-semana de Páscoa.
 

 

Segundo Kassam, o homem foi irresponsável e pode não estar a levar o assunto a sério. A província de Ontário colocou quase sete mil pessoas em quarentena - geralmente, uma precaução voluntária - para controlar a disseminação da Sars no país. «Segundo me disse o pessoal de saúde, o indivíduo mostrou-se intratável, ameaçador e hostil. Um comportamento pouco apropriado,» disse Kassam, afirmando ainda que pode pedir uma ordem por escrito a um juiz para garantir que o homem fique em quarentena.
 

 

Além deste caso, o departamento de saúde também informou que uma enfermeira que trabalha no hospital Mount Sinai, em Toronto, e que é suspeita de ter Sars, apanhou um comboio nos arredores da cidade e pode ter infectado outros passageiros. Na semana passada, o hospital informou que o caso da enfermeira não se enquadrava nos sintomas da Sars. E a mulher foi internada para exames mais detalhados.
 

 

Entretanto, o medo da doença tem vindo a afastar os turistas de Toronto -- empregados de hotéis dizem que a situação está pior do que depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos EUA. Todos os dias são canceladas convenções e a quebra das vendas do comércio é uma constante. Diversos países, incluindo a Austrália e a Irlanda, aconselharam os seus cidadãos a não visitar Toronto.
 

 

Não viajar
 

 

Para piorar a situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou na sexta-feira para que se evite, na medida do possível, as viagens a Toronto (Canadá), apesar das pressões das autoridades canadianas. A OMS anunciou na quarta-feira que aconselhava o adiamento de todas as viagens que não forem indispensáveis a Toronto, assim como para Pequim e para a província chinesa de Shanxi, no norte, devido à epidemia de pneumonia atípica.
 

 

Mas, devido à pressão das entidades canadianas, a OMS informou no domingo que irá rever a advertência contra as viagens a Toronto por causa da SARS, depois do governo Canadiano fornecer novas informações sobre o assunto.
 

 

A agência da ONU afirmou que não está a responder a pressões do governo canadiano e acrescentou que a revisão, marcada para amanhã, terça-feira, não necessariamente levará à suspensão do alerta, expedido por temores de que a doença estivesse a alastrar-se e a ser exportada para outros países.
 

 

O alerta da OMS causou alvoroço no Canadá, com as autoridades médicas a reclamar a decisão, dado que, segundo afirmam, a SARS não está a alastrar à comunidade, mas sim confinada ao grupo original de pessoas contaminadas e profissionais da área hospitalar.
 

 

Mas aparentemente tem havido casos de pessoas que contraem a doença no país, depois de regressarem de outros lugares, incluindo as Filipinas, Austrália e Estados Unidos.
 

 

O último incidente sob suspeita foi noticiado na quinta-feira quando o governo da Bulgária afirmou que um homem búlgaro apresentava sintomas parecidos com os da SARS após ter passado vários meses em Toronto.
 

 

Um assessor da OMS ainda reafirmou que a organização não manteria alertas contra viagens a qualquer país ou cidade por um tempo maior do que o necessário, dado terem plena consciência do prejuízo que isso pode causar às economias.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

Com agências internacionais
 

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