Canábis como medicamento seria "fantástico" para algumas pessoas

Considerações da presidente do Infarmed

20 fevereiro 2018
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A presidente do Infarmed defendeu o uso da canábis como medicamento, desde que em condições específicas e controladas e não através de auto cultivo.
 
“Penso que seria fantástico para algumas pessoas e patologias, haver acesso”, mas com “cultivo controlado, prescrição médica, acompanhamento médico” e venda em farmácia, e eventualmente com a criação de um gabinete específico de acompanhamento dentro do Infarmed, disse Maria do Céu Machado.
 
A presidente do Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, falava na Comissão de Saúde da Assembleia da República, num grupo de trabalho que está a avaliar a utilização da canábis para fins medicinais, no seguimento de dois projetos de lei nesse sentido, que admitem o auto cultivo da planta.
 
A presidente do Infarmed começou por lembrar que as propriedades da planta são conhecidas há séculos e referiu que a mesma tem mais de 400 constituintes e 60 canabinoides, sendo que os constituintes variam consoante as condições em que é cultivada.
 
Maria do Céu Machado insistiu na questão da segurança da planta, porque a mesma se contamina muito facilmente com metais pesados, fungos e pesticidas e o Infarmed, assegurou, não tem capacidade para controlar cada cultivo particular.
 
“Num medicamento interessa a eficácia, a qualidade e a segurança. Coloca-se o problema da qualidade e da eficácia. Se não for regulado o cultivo a planta facilmente se contamina”, alertou.
 
A responsável explicou também o circuito do medicamento para dizer que não vê grande necessidade de nova legislação sobre a matéria, porque medicamentos com base em canábis já podem ser prescritos, e que em Portugal não houve até agora qualquer pedido de autorização de introdução no mercado de um medicamento do género.
 
Na União Europeia, disse, há neste momento 42 ensaios clínicos, acrescentando que em países com legislação específica sobre a matéria os medicamentos à base de canábis são indicados para esclerose múltipla e doenças oncológicas. 
 
A Holanda, frisou, alterou a legislação para proteger os doentes, introduzindo o controlo de qualidade e venda nas farmácias e criação de uma agência específica.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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