Canábis causa danos na comunicação cerebral

Estudo publicado na revista “Psychological Medicine”

04 dezembro 2015
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Um estudo liderado pelo psiquiatra português Tiago Reis Marques constatou que fumar canábis de alta potência (skunk) pode danificar uma zona essencial do cérebro responsável pela comunicação entre os dois hemisférios cerebrais.
 

Está cientificamente demonstrado que o consumo regular e a longo prazo de canábis aumenta o risco de psicose, sendo que alterações na estrutura e função cerebral predispõem a este tipo de doenças. No entanto, o estudo publicado na revista “Psychological Medicine” é o primeiro a avaliar o efeito da potência da canábis na estrutura cerebral.
 

Atualmente, a análise do impacto cerebral da potência da canábis é particularmente importante uma vez que nos últimos dez anos tem-se assistido a um aumento significativo na concentração de Δ9-tetra-hidrocanabinol (THC), a principal substância psicoactiva da planta da canábis, refere o comunicado enviado à ALERT.
 

No estudo, os investigadores do Instituto de Psiquiatria do King’s College, no Reino Unido, utilizaram uma técnica de Ressonância Magnética chamada DTI (Difusão-Tensão de Imagem para analisar as alterações cerebrais em 56 pacientes com um primeiro surto psicótico bem como em 43 participantes saudáveis.
 

Os investigadores avaliaram especificamente o corpo caloso, a estrutura cerebral responsável pela comunicação entre os hemisférios direito e esquerdo. Esta estrutura é particularmente rica em recetores canabinóides, nos quais o conteúdo THC da canábis atua, fazendo com que o corpo caloso fique vulnerável à ação da canábis.
 

O estudo demonstrou que aqueles que usavam frequentemente canábis de alta potência (doentes ou voluntários saudáveis) tinham alterações significativas desta estrutura cerebral, comparativamente com aqueles que não usavam esta droga.
 

Segundo Tiago Reis Marques "os resultados deste estudo, ao mostrar que utilizadores de canábis de alta potência têm lesões cerebrais significativas relativamente aqueles que não a utilizam, deve servir de alerta para a opinião pública, profissionais de saúde mental e decisores políticos sobre o tipo de lesão cerebral que estas drogas podem causar. Nos últimos anos temos vindo a alertar para o facto de se verificar um aumento significativo na potência da canábis, com variedades muito fortes acessíveis a qualquer consumidor. Assim, quer o tipo de canábis consumida, quer a sua potência e frequência devem ser cuidadosamente avaliados o que pode ajudar a quantificar o risco para uma doença mental”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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