Calorias cortadas, juventude prolongada?

Estudo publicado na revista “Molecular & Cellular Proteomics”

16 fevereiro 2017
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Uma equipa de investigadores conduziu um estudo em que descobriu que o processo de envelhecimento celular em ratinhos pode ser desacelerado se houver uma redução nos alimentos consumidos.
 
O estudo foi conduzido por uma equipa liderada por John Price da Brigham Young University, EUA, que observou que os ribossomas, que são responsáveis pela produção de proteínas na célula, quando são desacelerados, isto é refletido no processo de envelhecimento. Esta desaceleração faz reduzir a produção, mas oferece aos ribossomas tempo adicional de reparação.
 
Para o estudo, a equipa estudou dois grupos de ratinhos. A um dos grupos foi dado acesso ilimitado a alimentos e ao outro grupo foram oferecidos todos os nutrientes necessários para viverem, mas com menos 35 calorias diárias.
 
Segundo o autor principal do estudo, “quando se restringe o consumo de calorias, verifica-se um aumento quase linear na esperança de vida”. John Price acrescentou que “deduzimos que a restrição causou autênticas alterações bioquímicas que desaceleraram a taxa de envelhecimento”. 
 
O investigador observou que “os ratinhos com restrição de calorias são mais energéticos e tiveram menos doenças”. John Price explicou que não se verificou apenas que esses ratinhos viviam mais tempo, mas que conseguem manter melhor o seu corpo e a juventude por mais tempo também. 
 
“O ribossoma é uma máquina muito complexa, como um carro, e que periodicamente precisa de manutenção e de mudança das partes que se deterioram mais rapidamente”, continuou ainda, dizendo que quando os pneus por exemplo se deterioram, não deitamos o carro fora, mas sim mudamos os pneus.
 
Os ribossomas são muito importantes e empregam entre 10 a 20% da energia total da célula para construir todas as proteínas necessárias para a célula ser operacional. Não faz sentido destruir um ribossoma inteiro quando este começa a funcionar de forma deficiente. Mas não é prático reparar partes do ribossoma regularmente para que este continue a produzir proteínas de alta qualidade por mais tempo. É esta produção de alta qualidade que mantem as células e o organismo a funcionarem bem.
 
A equipa não foi a primeira a estabelecer uma associação entre calorias e esperança de vida, mas no entanto, foi a primeira a demonstrar a que síntese de proteínas em geral sofre uma desaceleração e a reconhecer o papel dos ribossomas em facilitar as alterações bioquímicas que permitem prolongar a juventude. Não obstante, estes achados ainda não foram testados em humanos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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