Califórnia tem lei especial sobre células estaminais

Legislação federal é contrária

23 setembro 2002
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contrária à legislação federal
 

 

Num movimento que vai contra a política adoptada pela administração Bush, as autoridades da Califórnia aprovaram legislação que abre as portas do estado aos investigadores que desenvolvem trabalho na área das células estaminais.
 

 

O governador Gray Davis assinou domingo legislação que permite expressamente este tipo de investigação, que tem recolhido uma forte oposição junto de grupos anti-aborto e da igreja católica, por envolver o uso de tecidos embrionários e fetais.
 

 

A questão mereceu destaque de primeira página dos jornais há cerca de um ano, quando o presidente George W. Bush restringiu os fundos federais destinados à investigação com células estaminais embrionárias humanas a um determinado número de linhagens celulares já existentes.
 

 

Os defensores da legislação californiana dizem que a lei vai atrair cientistas que um dia serão capazes de curar doenças crónicas através da investigação.
 

 

Entre os apoiantes da iniciativa contam-se o actor
 

Christopher Reeve, que tem sido um activista da investigação com células estaminais desde que ficou paralisado do pescoço para baixo em consequência de um acidente.
 

 

"Desde que as células estaminais foram isoladas em 1998, o debate político teve um efeito desanimador nos nossos cientistas", disse Reeve.
 

 

"É doloroso ver que se podiam ter feito avanços" se essa investigação não tivesse sido reprimida, acrescentou.
 

As células estaminais, que se encontram nos embriões humanos, no cordão umbilical e na placenta, podem dividir-se e tornarem-se em qualquer tipo de células do corpo.
 

 

Os detractores da técnica argumentam que esta investigação é equivalente a assassínio porque parte da destruição de um embrião humano.
 

 

Durante a tarde de domingo não houve qualquer comentário por parte da Casa Branca à aprovação desta lei na Califórnia.
 

 

A senadora estatal Deborah Ortiz escreveu a proposta de lei que faz com que o estado da Califórnia permita explicitamente a investigação com células embrionárias estaminais, assim como a destruição e a doação de embriões.
 

 

A lei prevê que clínicas de fertilidade onde é realizada fertilização in-vitro informem as mulheres de que têm a opção de doar embriões excedentários para investigação. Para isso é necessário consentimento por escrito para que os embriões sejam doados para investigação, sendo proibida a sua venda.
 

 

Ortiz e os apoiantes da sua proposta de lei dizem que a investigação pode ser válida para curar ou aliviar condições crónicas e degenerativas, como a doença de Parkinson, Alzheimer e lesões na medula espinal.
 

 

A lei vai atrair "os melhores e os mais inteligentes" investigadores até à Califórnia, detendo ao mesmo tempo a migração de investigadores que trabalham nas células estaminais para outros países onde o seu trabalho é permitido, disse Larry Goldstein, professor na Universidade da Califórnia, San Diego.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

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