Cafeína reduz lesões cerebrais na doença de Machado-Joseph

Estudo conduzido pela Universidade de Coimbra

13 março 2013
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O consumo regular de cafeína em concentrações equivalentes de cinco a sete cafés por dia, modera as lesões cerebrais num modelo da doença de Machado-Joseph, atesta um estudo conduzido pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular e das Faculdades de Farmácia e de Medicina da Universidade de Coimbra (UC).
 

A Machado-Joseph é uma doença genética rara que é caracterizada pela produção anormal de uma proteína (ataxina 3) possuidora de uma cadeia excessivamente longa de glutaminas (aminoácidos abundantes no tecido muscular), causando toxicidade em diferentes zonas do cérebro. A doença tem uma prevalência significativa em Portugal, particularmente na região dos Açores.
 

A equipa de investigadores envolvidos no estudo avaliou o impacto da cafeína na doença de Machado-Joseph através da indução da doença no cérebro de ratos, tendo para o efeito recorrido a vírus modificados causadores dessa neuropatologia.
 

Em comunicado, a UC declarou que “as experiências e análises realizadas permitiram identificar o alvo onde a cafeína atua para bloquear a progressão da doença: o recetor A2A para a adenosina. Mostraram também, pela primeira vez, alterações na conexão neuronal, exercendo a cafeína efeitos protetores, capazes de restabelecer a função, por atuar como inibidora desta perturbação nos circuitos neuronais”.
 

O estudo, que foi aceite para publicação na revista internacional de referência, Annals of Neurology, teve como primeiro autor Nélio Gonçalves. Os coordenadores do estudo comentam que “embora esta “descoberta represente uma peça importante para o complexo ‘puzzle’ da compreensão desta doença rara e incurável”, “são resultados promissores que abrem pistas para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, mas são necessários mais estudos e ensaios clínicos para confirmar se o alvo molecular é eficaz nos humanos”.
 

"Não há nenhum mecanismo para interferir com a progressão da doença de Machado-Joseph, apenas se tratam os sintomas. Por isso, os resultados abrem portas para a definição de uma nova estratégia para frenar o surgimento da doença", afirmam os investigadores.
 

A comunidade científica “validou estas novas informações sobre os mecanismos envolvidos na neuropatologia, renovando a esperança na busca de um tratamento que permita atrasar a sua evolução”.
 

Os investigadores Luís Pereira de Almeida e Rodrigo Cunha argumentam todavia que “estabelecer prazos para um novo medicamento chegar ao mercado é pura especulação”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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