Cafeína pode reverter défices de memória

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

02 setembro 2016
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Uma equipa internacional de investigadores identificou o mecanismo através do qual a cafeína neutraliza os défices cognitivos associados à idade, revela um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto de Medicina Molecular, em Portugal, em colaboração com cientistas do Inserm, em França bem como equipas alemãs e americanas, apurou que a expressão anormal de um recetor específico, a adenosina A2A, no cérebro de ratinhos induzia um perfil semelhante ao envelhecimento, nomeadamente problemas de memória associados à perda de mecanismos de controlo do stress.
 

Luísa Lopes, a investigadora portuguesa que conduziu a investigação, explicou que este estudo faz parte de um outro iniciado há cerca de quatro anos, no qual foi identificado o papel deste recetor no stress. Contudo, ainda não se sabia que a sua ativação era capaz de ser suficiente para desencadear todas as alterações.
 

Neste estudo, os investigadores constaram que a alteração da expressão deste recetor nos neurónios do hipocampo e córtex – áreas associadas à memória – era suficiente para induzir um perfil a que os cientistas designaram por “envelhecimento precoce”, que combina a perda da memória com um aumento dos níveis da hormona do stress, o cortisol, no sangue.
 

Os investigadores verificaram que quando os animais eram tratados com um análogo da cafeína, que bloqueia a ação dos recetores adenosina A2, tanto os problemas de memória como de stress ficaram normalizados.
 

David Blum, o diretor de investigação do Inserm, refere que nos idosos há um aumento das hormonas do stress que têm impacto na memória.
 

“O nosso trabalho defende a ideia de que os efeitos pró-cognitivos dos antagonistas A2AR, nomeadamente a cafeína, observados na doença de Alzheimer e nos distúrbios cognitivos associados à idade, podem ter por base a sua capacidade de neutralizar a perda de mecanismo de controlo do stress que ocorre com o envelhecimento”, referiu o investigador.
 

Luísa Lopes conclui que estes achados são importantes não apenas para compreender as alterações que ocorrem no envelhecimento, mas também identifica as disfunções do recetor da adenosina A2A, o qual tem um papel importante no desencadeamento destas mudanças, sendo também um alvo terapêutico muito atrativo.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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