Cafeína pode ajudar a tratar doença de Parkinson

Conclusões divulgadas na revista “Neurology”

17 agosto 2012
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O consumo de café pode não reduzir a sonolência em doentes de Parkinson, mas parece melhorar o controlo de movimentos, revela um estudo levado a cabo pela McGill University, em Montreal, Canadá, e publicado na edição em linha da revista “Neurology” da American Academy of Neurology.

 

A cafeína já tinha sido associada a um menor risco de desenvolvimento da doença de Parkinson, mas agora um novo estudo revela que este estimulante poderá também ajudar a tratar os sintomas da doença.

 

Neste estudo participaram 61 doentes com Parkinson que revelavam sonolência diurna e sintomas motores da doença. Metade do grupo recebeu um placebo e a outra metade um comprimido com 100 miligramas de cafeína duas vezes por dia, ao longo de três semanas. Mais tarde, a dose foi aumentada para 200 miligramas (o equivalente a duas a quatro chávenas de café), duas vezes por dia durante mais três semanas.

 

No final das seis semanas, a metade do grupo que tinha tomado o suplemento de cafeína registou uma melhoria, em média, de cinco pontos na Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson, em comparação com aqueles que tinham recebido o placebo. O grupo de cafeína revelou também uma melhoria, em média, de três pontos em relação à velocidade de movimentos e grau de rigidez, quando comparado com o grupo de placebo.

 

“Isto pode ser uma melhoria modesta, mas pode ser o suficiente para beneficiar os pacientes”, esclarece Ronald Postuma, autor do estudo.

 

A cafeína não pareceu ajudar a reduzir a sonolência diurna, nem evidenciou produzir alterações na qualidade de vida, depressão ou qualidade do sono dos participantes no estudo.

 

Michael Schwarzschild, médico no Massachusetts General Hospital, em Boston, EUA, e autor do editorial que acompanhou o estudo revela que este “é especialmente interessante, uma vez que a cafeína parece bloquear um sinal disfuncional no cérebro na doença de Parkinson e é tão seguro e tão barato”.

 

Apesar de os resultados não sugerirem que a cafeína poderá ser utilizada no tratamento da doença, tal poderá ser tido em consideração quando os doentes de Parkinson estiverem a discutir o consumo de café com o seu médico, revela Schawrzschild.

 

Os autores do estudo chamam a atenção para o facto de a duração do estudo ter sido curta e que os efeitos da cafeína poderão diminuir ao longo do tempo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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