Cafeína impede perda de memória nos diabéticos

Estudo publicado na revista “PLoS ONE”

10 maio 2012
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Investigadores da Universidade de Coimbra, em Portugal,  descobriram o modo como a diabetes tipo 2 conduz à perda de memória e como a cafeína a consegue impedir, revela um estudo publicado na “PLoS ONE”.

 

A diabetes tipo 2 é um dos principais problemas da saúde pública, afetando atualmente 285 milhões de indivíduos no mundo inteiro e sendo esperado que, em 2030, este número duplique. A diabetes é causada por elevados níveis de glucose no sangue e na diabetes tipo 2 isto ocorre porque o organismo torna-se resistente à insulina, a hormona que permite às células captarem a glucose do sangue para a utilizarem como fonte de energia. A acumulação de níveis de glucose tóxicos no sangue causa danos nas células nervosas, vasos sanguíneos e, com o tempo, leva a complicações graves.

 

Os investigadores  utilizaram um modelo de ratinhos para a diabetes tipo 2, que, tal como nos humanos, desenvolvem a doença na idade adulta como resultado da ingestão de uma dieta rica em gorduras, para analisar uma das complicações decorrentes da doença, a perda de memória. Foi também avaliado o possível efeito protetor da cafeína que, como psicostimulante, tem sido sugerido como impedidor da perda de memória em várias doenças neurodegenerativas.

 

Os investigadores dividiram os ratinhos em quatro grupos: ratinhos saudáveis ou diabéticos, aos quais era ou não adicionado cafeína na água, o equivalente a oito chávenas por dia. O estudo apurou que o consumo de cafeína não só diminui o peso corporal dos ratinhos, como também impediu a perda de memória. Isto confirma que a cafeína, de facto, protege contra a diabetes e impede a perda de memória, provavelmente por interferir com a neurodegeneração causada pelos níveis tóxicos de glucose.

 

Os investigadores também analisaram uma região do cérebro que está associada à memória e à aprendizagem, o hipocampo, que está habitualmente atrofiada nos diabéticos. Foi verificado que os ratinhos diabéticos apresentavam alterações nesta área, tendo sido, especificamente, observado a degeneração das sinapses e dos astrocistos. Estes dois fenómenos são conhecidos por afetar a memória e, adicionalmente, neste estudo, foi constatado que consumo de cafeína pode impedir que este tipo de degeneração ocorra.

 

Para tentar desenvolver fármacos baseados no efeito protetor da cafeína, os investigadores foram tentar perceber quais os mecanismos celulares que estavam envolvidos, tendo descoberto que um dos recetores que responde à cafeína, o A2AR, estava envolvido na perda de memória.

 

Assim, os autores do estudo, liderados por Rodrigo Cunha, concluíram que a diabetes afeta a memória causando a degeneração das sinapses, dos astrocistos e aumentando os níveis de A2AR. O estudo também indicou que o consumo de café pode impedir a neurodegeneração e a perda de memória, a qual não ocorre apenas na diabetes mas em várias doenças neurodegenerativas.

 

Rodrigo Cunha revelou ainda que a dose de cafeína que demonstrou ser eficaz é excessiva, mas que o consumo moderado de cafeína pode apresentar um efeito benéfico.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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