Cafeína eficaz no combate à depressão

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

12 junho 2015
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Investigadores da Alemanha, do Brasil, dos EUA e de Portugal constataram que o consumo de cafeína é eficaz no combate à depressão, dá conta um comunicado enviado pela Universidade de Coimbra (UC).


“O consumo de cafeína é eficaz tanto na prevenção como no tratamento da depressão”, refere o estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.


Os investigadores, coordenados por Rodrigo Cunha, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e docente da Faculdade de Medicina da UC, chegaram a esta conclusão depois de, durante seis anos, terem realizados “estudos e experiências em modelos animais (ratinhos) para avaliar em que medida a cafeína interfere na depressão”. A depressão é a doença com “maiores custos socioeconómicos do mundo ocidental”.


Os animais que consumiram cafeína, em doses equivalentes a quatro/cinco chávenas de café por dia em humanos, “apesar de todas as situações negativas a que foram sujeitos”, apresentaram “menos sintomas” de depressão do que aqueles aos quais não foi ministrada cafeína, que registaram “as cinco alterações comportamentais típicas da depressão”, referiu Rodrigo Cunha à agência Lusa.


Sujeitos a situações de Stress Crónico Imprevisível, isto é, a “sucessivas situações negativas e, por vezes, extremas (privação de água, exposição a baixas temperaturas, etc.), durante três semanas”, os animais aos quais foi administrada cafeína diariamente resistiram melhor.


Os investigadores verificaram que os animais que não consumiram cafeína revelaram imobilidade (os ratinhos deixaram de reagir), ansiedade, anedonia (perda de prazer), menos interações sociais e deterioração da memória.


Os autores do estudo também identificaram o alvo molecular responsável pelas modificações observadas, tendo concluído que “os recetores A2A para a adenosina (que detetam a presença de adenosina, uma molécula que sinaliza perigo no cérebro) são os protagonistas de todo o processo”.


Com base num estudo anterior, no qual Rodrigo Cunha participou como consultor científico, em que “doentes de Parkinson tratados com Istradefilina – um novo fármaco da família da cafeína antagonista dos recetores A2A (fármaco que inibe a atuação dos A2A) – mostraram melhorias significativas, a equipa decidiu aplicar este medicamento nos ratinhos deprimidos”, adianta a UC.


Em apenas três semanas de tratamento, “o fármaco foi capaz de inverter os efeitos provocados pela exposição inicial a Stress Crónico Imprevisível e os animais recuperaram para níveis semelhantes aos do grupo de controlo (constituído por ratinhos saudáveis) ”, refere Rodrigo Cunha.

 

Embora seja necessário efetuar um ensaio clínico, a transposição deste fármaco para a “prática clínica pode ser bastante rápida, assim haja vontade da indústria farmacêutica, porque estamos perante um fármaco seguro, já utilizado nos EUA e no Japão para o tratamento da doença de Parkinson”, conclui o investigador.
 


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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