Cafeína é benéfica para o tratamento da hiperatividade infantil

Estudo da Universidade de Coimbra

09 maio 2012
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A cafeína é benéfica para tratar a hiperatividade das crianças, dá conta um estudo realizado pelos investigadores da Universidade de Coimbra (UC).

 

A administração de cafeína em doses equivalentes a três ou quatro chávenas de café por dia “controla o défice de atenção e hiperatividade, sem causar efeitos secundários”, refere em comunicado de imprensa UC.

 

A hiperatividade é atualmente controlada com a ritalina, fármaco derivado da anfetamina, que tem como um dos efeitos secundários a dependência.

 

“O que aqui se coloca não é dar café às crianças, mas poder medicá-las com cafeína e identificar como ela atua” no cérebro, revelou, à agência Lusa, o coordenador da investigação Rodrigo Cunha.

 

Para o investigador de Neurocirurgia e docente da Faculdade de Medicina da UC, “é seguro afirmar que o consumo de café é benéfico em crianças e adolescentes, mas a clínica deve obedecer a todo um protocolo”.

 

Os resultados obtidos necessitam “de ensaios clínicos e, por isso, não devemos, ainda, recomendar aos cuidadores de crianças hiperativas a inserção de café na sua dieta”, frisou.

 

Esta investigação, que foi desenvolvida ao longo dos últimos três anos, veio demonstrar que a cafeína “restabelece a função da dopamina enquanto neurotransmissor do cérebro (com um papel muito importante no comportamento e cognição)” e permitiu evidenciar “modificações que ocorrem no cérebro em situações de défice de atenção e hiperatividade”.

 

A inovação do estudo está, segundo Rodrigo Cunha, "no uso da cafeína em modelos animais para tratar do défice de atenção, o que abre caminho para se confirmar se a sua administração no homem causa menores riscos que a anfetamina e, a partir daí, desenvolver um novo fármaco”.

 

Ao nível dos efeitos secundários, “o grande problema das anfetaminas é criar uma dependência muito marcada e a perda de eficiência ao longo do tempo, além de estar associada a uma maior propensão a processos irreversíveis de consumo de outros fármacos e drogas”, explicou.

 

O estudo vai agora centrar-se no desenvolvimento de químicos semelhantes à cafeína, a serem validados em animais, disse o investigador, que procura financiamento fora do país.

 

Rodrigo Cunha explicou que, em geral, esta patologia surge por volta dos nove anos de idade e “atinge o pico” de modificação de comportamento, que afeta o dia-a-dia da criança no seu desempenho escolar e interação social, entre os 13/14 anos, idade a partir da qual surge o “perfil claramente patológico”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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