Cafeína atrasa relógio biológico

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine

22 setembro 2015
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Não é segredo nenhum que a ingestão de cafeína à noite pode afetar o sono. Um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine” demonstrou, pela primeira vez, que a cafeína atrasa o relógio biológico interno.
 
O relógio biológico, ou ritmo circadiano, funciona em cada célula do nosso organismo, ativando e desativando genes em diferentes momentos para que as pessoas consigam adaptar-se aos ciclos noturnos e diurnos. A hormona melatonina, que faz com que a pessoas se sintam com sono, é libertado por determinadas causas, como a diminuição de luz.  
 
A alteração do ritmo circadiano, através de jet lag ou distúrbios de sono pode conduzir a várias condições de sono com efeitos na doença cardíaca, diabetes tipo 2, doença de Alzheimer e determinadas condições psiquiátricas.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Colorado, nos EUA, e do Laboratório de Investigação Médica de Biologia Molecular, no Reino Unido, descobriram que beber o equivalente a um expresso duplo, três horas antes de dormir, atrasa o relógio biológico uma hora, ao retardar o aumento dos níveis de melatonina. 
 
De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores convidaram cinco indivíduos a permanecer em ambiente laboratorial ao longo de 49 dias, sem acesso a relógio ou conhecimento da luz externa. Os participantes foram expostos a ambientes com luz forte ou fraca. Tal como a cafeína, a luz forte é conhecida por ser um estímulo que alonga a fase circadiana.
 
Três horas antes de dormir, os participantes tomaram cafeína, o equivalente a um expresso duplo, ou um placebo. Foram realizados testes à saliva três horas após para monitorização dos níveis de melatonina produzida.
 
Os investigadores verificaram que, nos indivíduos que tomaram cafeína os níveis de melatonina aumentaram 40 minutos mais tarde, comparativamente com aqueles incluídos no grupo da cafeína Esta magnitude do atraso foi metade da obtida através da exposição a ambientes com luz forte. 
 
Através de experiências realizadas em células humanas, os investigadores demonstraram que a cafeína atuava diretamente nos recetores de adenosina que estão presentes em todas as células. A cafeína aumenta assim um importante mensageiro molecular, o cAMP, que desempenha um papel importante no relógio biológico. Os investigadores concluem assim que os efeitos bioquímicos da cafeína e a sua ação no atraso do ritmo circadiano estão associados.
 
“Estes achados têm implicações importantes nos indivíduos com distúrbios do ritmo circadiano, onde o relógio interno não funciona adequadamente, ou pode também ajudar as pessoas com jet lag”, conclui o líder do estudo, John O'Neill.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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