Cafeína associada a baixo peso à nascença

Estudo publicado na revista “BMC Medicine”

21 fevereiro 2013
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O consumo de café durante a gravidez está associado a um baixo peso dos bebés à nascença, bem como ao aumento do tempo de gestação, dá conta um estudo publicado na revista “BMC Medicine”.
 

A nutrição materna é importante para o desenvolvimento do embrião e para a saúde da criança ao longo da vida. A suplementação da dieta com vitaminas específicas está associada a um aumento da saúde do feto e reduz o risco de espinha bífida. Contudo, nem todos os alimentos consumidos pelas mães são benéficos para o desenvolvimento do bebé.
 

Conjuntamente com os nutrientes e o oxigénio, a cafeína atravessa a barreira placentária. Contudo, o feto em desenvolvimento não expressa as enzimas necessárias para a inativar eficazmente. A organização mundial de saúde aconselha, durante a gravidez, a ingestão máxima de 300mg de cafeína, por dia, apesar de alguns países recomendarem apenas o consumo de 200mg, o que equivale a menos de uma chávena de café.
 

De forma a estudar o impacto nos bebés do consumo de cafeína durante a gravidez, os investigadores do Norwegian Institute for Public Health, na Noruega, analisaram os dados de 60.000 gravidezes. A quantidade de cafeína consumida através de várias fontes, incluindo café, chá, refrigerantes e alimentos foi monitorizada ao longo do estudo.
 

O estudo apurou que havia uma associação entre o consumo de cafeína e o facto de os bebés serem pequenos para a sua idade gestacional. Esta associação manteve-se inalterada mesmo após o investigadores terem apenas analisado as mulheres não fumadoras, o que indica que é a cafeína em si que afeta o peso dos bebés.
 

Os investigadores, liderados por Verena Sengpiel, também constataram que independente da fonte de cafeína, esta bebida reduzia o peso do bebé à nascença e a duração da gravidez. Por cada 100mg diários de cafeína ingerida, o peso do bebé diminuía entre 21 a 28 gramas e o período de gestação era prolongado em cinco horas. Caso a ingestão de cafeína fosse resultante do consumo de café, o período de gestação aumentava oito horas por cada 100 mg de cafeína.
 

De acordo com os autores do estudo, estes resultados sugerem que aumento do tempo de gestação associado ao consumo de café poder ser devido à presença de outras substâncias nesta bebida, ou talvez haja algum comportamento associado às mulheres que bebem café que não está presente nomeadamente naquelas que consomem chá.
 

Os investigadores referem ainda que os bebés que nascem pequenos para a sua idade gestacional apresentam um maior risco de desenvolver problemas graves de saúde, num curto espaço de tempo ou ao longo da vida. Assim, com base nos resultados do estudo, as recomendações respeitantes à quantidade máxima de cafeína ingerida por dia deveriam ser revistas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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