Café pode ajudar a prevenir a Doença de Alzheimer

Substância desconhecida presente na bebida é a responsável pelo efeito benéfico

22 julho 2011
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Um estudo realizado na University of South Florida (USF), nos Estados Unidos, concluiu que o café pode ter efeitos positivos na prevenção da Doença de Alzheimer. Os resultados, que vão ser publicados no Journal of Alzheimer’s Disease, apontam para a existência de uma substância presente no café, ainda não identificada, que possui essas propriedades.

 

Ao analisar ratinhos criados em laboratório com os sintomas de Alzheimer, os investigadores observaram que a interacção desse composto da cafeína aumenta os níveis do factor estimulante de colónias de granulócitos (G-CSF) no sangue – factor responsável por evitar o progresso da doença.

 

Os pesquisadores dividiram os ratinhos em três grupos: os que ingeriram café com cafeína, os que consumiram café descafeinado e os que ingeriram unicamente cafeína pura. No primeiro caso, o café com cafeína aumentou consideravelmente os níveis sanguíneos de G-CSF, resultado não observado em nenhum dos outros grupos.

 

“O café com cafeína proporciona um aumento natural dos níveis de G-CSF no sangue. Não sabemos ainda como isso acontece, mas há uma interacção sinérgica entre a cafeína e determinada substância ainda desconhecida da bebida”, diz Chuanhai Cao, investigador principal do estudo. Os investigadores advertem no entanto que no estudo foi utilizado café de filtro, o que não permite concluir que o café instantâneo demonstre os mesmos resultados.

 

Embora o ensaio tenha sido realizado em animais, os cientistas consideram haver evidência clínica da capacidade protectora do café contra o Alzheimer.

 

Segundo os investigadores, a ingestão de quatro a cinco chávenas por dia foram suficientes para neutralizar a patologia e a perda de memória nos ratinhos com Alzheimer. Para ser eficiente contra a doença, o consumo pode ter início na idade adulta, entre os 30 e 50 anos, no entanto, o consumo precoce aumenta os níveis de protecção.

 

“Tanto esta como outras pesquisas sobre o tema revelam que a cafeína parece melhorar o desempenho cognitivo, em particular quando a pessoa está cansada, moderando também o declínio cognitivo associado ao envelhecimento. O facto é que a cafeína atenua a comunicação inibitória entre neurónios no córtex cerebral, resultando num efeito globalmente facilitador da excitabilidade neuronal, que está provavelmente subjacente aos efeitos cognitivos agudos benéficos da cafeína”, afirma o Prof. Rodrigo Cunha, Director do Departamento de Neurofarmacologia do Centro de Neurociências de Coimbra.
 

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