Café estimula e cannabis prejudica fertilidade

Cientistas explicam as razões

30 outubro 2003
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O café não só anima, como também ajuda na fertilidade masculina. Ao invés, a cannabis, recentemente aprovada para uso medicinal na Holanda, prejudica sensivelmente a capacidade do espermatozóide atingir o seu alvo e fecundar o óvulo.
 

 

As informações são resultados de dois estudos apresentados recentemente na conferência anual da American Society for Reproductive Medicine, nos Estados Unidos, onde cientistas discutiram os efeitos de drogas sobre a fertilidade masculina.
 

O estudo sobre as propriedades do café foi realizado por uma equipa da Universidade de São Paulo, Brasil, a qual indica que os espermatozóides dos homens consumidores de café movem-se com mais facilidade do que os de homens que não ingerem cafeína.
 

 

A mobilidade do espermatozóide tem influência directa na sua capacidade de percorrer o caminho até o óvulo e fecundá-lo. O estudo também sugere que os novos tratamentos baseados na cafeína sejam desenvolvidos para homens que tenham espermatozóides com mobilidade prejudicada, o que pode ter impacto directo na fertilidade.
 

 

Outro estudo apresentado durante a conferência refere que os espermatozóides dos homens que fumam cannabis regularmente perdem força e, por isso, podem tornar-se estéreis. O estudo da Universidade de Nova Iorque, em Buffalo, EUA, é a primeira a analisar os padrões de mobilidade dos espermatozóides de consumidores de cannabis.
 

 

O problema, segundo o estudo, é que os espermatozóides de consumidores de cannabis movem-se muito rapidamente e de forma precoce. «Para chegar a um óvulo, o espermatozóide precisa nadar de modo desenfreado -- isso é hiperactivação -- e precisa ser vigoroso ao mesmo tempo», explicou à Reuters o líder da investigação, Lani Burkman.
 

«O timing está todo errado. Esses espermatozóides vão sofrer uma exaustão completa antes de atingirem o óvulo e não serão capazes de fazer a fertilização.»
 

 

O estudo também mostrou que os homens que fumam cannabis têm menos espermatozóides porque possuem menor quantidade do líquido seminal em comparação com outros homens. Velocidade, volume, formato, densidade, movimento e contagem do esperma foram estudados comparativamente em homens férteis e em consumidores de cannabis.
 

 

«Não sabemos exactamente o que acontece para modificar o funcionamento do esperma», afirmou Burkman. «Mas pensamos que seja das duas uma: o THC [princípio activo do cannabis] possa provocar o timing indevido da função do esperma por estimulação directa, ou pode estar driblando os mecanismos naturais de inibição. Seja qual for a causa, o esperma nada muito rápido e de um modo precoce».
 

Mesmo quando o homem deixa de fumar cannabis, o THC fica armazenado durante meses na gordura do corpo. Por isso, o cientista aconselha todos os que estejam a tentar conceber- homens e mulheres - para não consumirem a droga.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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