Cães podem farejar cancros

Cientistas apresentam provas inequívocas

29 setembro 2004
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Um estudo feito por cientistas britânicos prova que os cães têm capacidade para farejar cancro nos seres humanos, informa a edição da semana passada do British Medical Journal.Ao ser colocada urina de doentes com cancro da bexiga ao lado de outras de pessoas saudáveis ou com outras doenças, vulgares cães de companhia foram capazes de distinguir a amostra dos pacientes cancerosos, com frequência três vezes superior à que seria de esperar por simples acaso. Estima-se que o faro dos cães seja 10 a 100 mil mais sensível do que o olfacto humano.A ideia de que os cães são capazes de cheirar cancros foi lançada pela primeira vez em 1989 por dois dermatologistas de Londres, ao descreverem o caso de uma mulher que pedia que lhe fosse extraída uma mancha na perna porque o cão a cheirava insistentemente, mesmo quando usava calças, ao mesmo tempo que ignorava todas as outras manchas da pele.Um dia, segundo esses médicos, o cão chegou mesmo a tentar morder a mancha quando usava calções. Veio a descobrir-se que ela tinha um melanoma maligno, uma forma mortal de cancro da pele, que lhe foi retirado a tempo de lhe salvar a vida.Depois, em 2001, outros dois médicos britânicos relataram um caso semelhante de um homem que durante 18 anos teve eczema numa perna, até que um dia o seu cão, um labrador, começou a cheirar também com insistência aquela zona, através das calças.Aconteceu que lhe foi diagnosticado cancro da pele e, uma vez retirado o cancro, o cão deixou de se interessar pelo eczema. Depois destes e doutros casos parecidos, o estudo divulgado constitui o primeiro teste rigoroso desta teoria.A experiência, realizada por investigadores do Amersham Hospital, na Inglaterra, e da organização Hearing Dogs for Deaf People, foi feita com seis cães, todos de companhia dos seus treinadores, durante sete meses. Foram utilizadas amostras de urina de 36 pacientes cancro da bexiga e de 108 voluntários, saudáveis ou com outras doenças que serviram de comparação. Na totalidade, os cães foram capazes de identificar correctamente a urina cancerosa 22 vezes entre 54, com uma média de êxito de 41 por cento, sendo os melhores da raça cocker spaniel.Um dos pacientes com cancro foi correctamente identificado por todos os cães, enquanto outros dois foram sempre ignorados, numa indicação de que a força dos sinais na urina, nomeadamente de proteínas específicas, pode variar de pessoa para pessoa, ou conforme a gravidade da doença.A descoberta mais intrigante foi a de um paciente cuja urina foi usada para comparação durante a fase de treino. Todos os cães a identificaram como se fosse um caso de cancro, apesar das análises prévias nunca o terem revelado. Após análises mais detalhadas, acabou por ser diagnosticado ao doente um tumor maligno no rim direito.Fonte: Lusa

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