Cães podem detectar cancro do pulmão

Estudo publicado no “European Respiratory Journal”

23 agosto 2011
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Cães treinados poderiam detectar cancro do pulmão num estágio inicial, de acordo com um novo estudo publicado no “European Respiratory Journal”.

 

O estudo, conduzido por cientistas do Hospital Schillerhoehe, Alemanha, é o primeiro a demonstrar que cães especializados na detecção de certas doenças podem detectar cancro do pulmão.

 

O cancro do pulmão é o mais comum em homens e mulheres em toda a Europa, sendo responsável por mais de 340 mil mortes por ano. É também a causa mais comum de morte por cancro no mundo. A doença não está fortemente associada a qualquer sintoma específico e a detecção precoce é feita, muitas vezes, por acaso.

 

Os métodos actuais de detecção não são fiáveis; e os cientistas têm vindo a trabalhar sobre o uso de amostras de ar exalado de pacientes para desenvolver testes de diagnóstico no futuro. Este método é baseado na identificação de compostos orgânicos voláteis (COV) associados à presença de cancro.

 

Embora a ciência tenha desenvolvido muitas aplicações tecnológicas, este método ainda é difícil de aplicar na prática clínica, pois os pacientes não estão autorizados a fumar ou comer antes do exame, a análise das amostras é demorada e há também uma alto risco de interferência. Por estas razões, não foram identificados COV específicos para o cancro do pulmão.

 

Este novo estudo do Hospital Schillerhoehe teve como objectivo avaliar se os cães treinados conseguiam identificar compostos orgânicos voláteis na respiração dos pacientes. Os investigadores trabalharam com 220 voluntários, incluindo pacientes com cancro do pulmão, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e indivíduos saudáveis.

 

 Os cientistas realizaram uma série de testes para comprovar se os cães eram capazes de distinguir os voluntários com cancro do pulmão de voluntários saudáveis e voluntários com DPOC, e se estes resultados continuavam fiáveis na presença de fumo de tabaco.

 

Os cães foram capazes de identificar 71 amostras de cancro do pulmão de um máximo de 100. Também detectaram correctamente 372 amostras que não tinham cancro do pulmão, de um máximo de 400.

 

Os cães também conseguiram assinalar cancro do pulmão, apesar da presença de DPOC e de fumo de tabaco. Estes resultados confirmam a presença de um marcador estável de cancro do pulmão, independente da DPOC e também detectável na presença de fumo de tabaco, alimentos e medicamentos.

 

Segundo o autor do estudo, Thorsten Walles, "é provável que existam substâncias químicas diferentes nas amostras de respiração normal e na respiração de pacientes com cancro do pulmão, e os cães, graças ao seu faro, podem detectar diferenças num estágio inicial da doença. “Os resultados confirmam a presença de um marcador estável de cancro do pulmão. Este é um grande passo para o diagnóstico do cancro do pulmão, mas ainda precisamos identificar com precisão os compostos encontrados no ar exalado dos pacientes. É pena que os cães não possam comunicar-nos dados sobre a bioquímica do odor do cancro", apontou o cientista.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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