Cães: como protegem contra a asma e alergias na infância?

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

19 dezembro 2013
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Investigadores americanos descobriram o motivo pelo qual a convivência com cães na infância pode diminuir o risco de desenvolvimento de asma e alergias, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Através de experiências realizadas em animais, os investigadores da Universidade de São Francisco, nos EUA, concluíram que havia uma reformulação do microbioma intestinal (comunidade de microrganismo que habitam os sistema gastrointestinal) e uma diminuição da reatividade do sistema imunológico a alergénios comuns, nos animais que tinham sido expostos a pó de casas onde era permitida a presença de cães. Apesar de as experiências terem sido realizadas em ratinhos, os investigadores defendem que estes resultados poderão explicar a redução do risco de alergias nas crianças que convivem com cães.
 

Neste estudo, os investigadores liderados por Susan Lynch expuseram ratinhos a baratas ou a proteínas alergénicas. Foi constatado que a resposta inflamatória associada à asma foi menor nos pulmões dos ratinhos que tinham sido previamente expostos ao pó de casas onde habitavam cães, comparativamente com aqueles expostos ao pó de habitações sem estes animais de estimação.  
 

Entre as várias espécies de bactérias presentes no microbioma gastrointestinal dos ratinhos que estavam protegidos, os investigadores focaram-se na Lactobacillus johnsonii. Quando incluíram esta bactéria na alimentação dos animais, foi verificado que esta era capaz de proteger contra a inflamação das vias aéreas resultante da exposição a alergénios ou até da infeção pelo vírus sincicial respiratório. A infeção por este vírus na infância está associada à asma.
 

O estudo apurou que a proteção das vias aéreas estava associada com uma redução do número e atividade das células imunes associadas à asma. O nível de proteção conferido apenas com esta bactéria foi menor ao obtido com o total dos microrganismos persentes no pó de casas habitadas por cães, indicando que existem outras bactérias que são necessárias para haver uma proteção completa das vias aéreas.  
 

Susan Lynch referiu que este estudo demonstrou que as alterações no microbioma gastrointestinal podem ter uma vasta gama de efeitos na função imunológica que vão para além do intestino. “A manipulação do microbioma gastrointestinal representa assim uma nova estratégia terapêutica que pode conferir proteção contra as infeções pulmonares e doenças alérgicas das vias respiratórias”, conclui Susan Lynch.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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