Cadeira de rodas autónoma incapaz de sair da gaveta
03 novembro 2002
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Investigadores portugueses trabalham há cinco anos numa cadeira de rodas robotizada capaz de se mover autonomamente sem colidir com obstáculos, um projecto que tarda em ser comercializado por falta de interesse do sector empresarial.
 

 

Em declarações à Agência Lusa, Urbano Nunes, co-responsável pela equipa do Instituto de Sistemas e Robótica do Departamento de Engenharia Electrotécnica da Universidade de Coimbra que desenvolve o projecto, comentou a propósito que o protótipo actualmente existente, comandado por voz, podia já ser comercializado.
 

 

"Quando apresentámos a cadeira em 1999 surgiram algumas empresas nacionais interessadas neste tipo de equipamento, que, pelas suas características de inteligência robotizada, poderia ser canalizado para variadas aplicações", indicou.
 

 

Idosos com dificuldades de locomoção, doentes mentais ou portadores de deficiências físicas poderiam ser alguns dos beneficiados por esta tecnologia, exemplificou.
 

 

"No entanto, quando apresentámos o projecto à Agência de Inovação ele foi chumbado por ser considerado demasiado ambicioso, o que desmotivou a empresa interessada em fazer uma parceria connosco", disse, lamentando que a própria Agência de Inovação tenha tido medo da inovação, uma das principais falhas do sector empresarial português.
 

 

A Robchair responde a simples comandos de voz, como "para a frente", "para trás", "para a direita" e "para a esquerda", estando dotada de sensores de infravermelhos que possibilitam uma mobilidade sem acidentes, nem choques em obstáculos, passagens estreitas ou portas.
 

 

"Este foi o objectivo da primeira fase do projecto, muito reactiva, na qual pegámos numa vulgar cadeira de rodas autónoma eléctrica, para ver se era possível pô-la a obedecer a comandos de voz e a mover-se sem colidir com obstáculos", explicou Urbano Nunes.
 

 

Durante a segunda fase do projecto, actualmente em desenvolvimento, pretende-se expandir-lhe a autonomia, dotando-a do poder de tomar decisões baseadas no ambiente por onde se desloca.
 

 

Comunicando com edifícios "inteligentes" como hospitais, unidades terapêuticas ou centros de idosos, a cadeira poderá deslocar-se em conformidade com um programa pré-estabelecido de percursos.
 

 

"Estamos a refazer a arquitectura de controlo (electrónica e comunicações) para podermos testar capacidades mais evoluídas:
 

 

melhor simbiose com o ser humano e maior capacidade de navegação autónoma de um ponto A para um ponto B em ambiente interior (por exemplo de uma sala para outra sala)", disse.
 

 

Está também prevista a incorporação de capacidades de navegação autónoma/semi-autónoma para ambientes exteriores, segundo o investigador.
 

 

O trabalho dos cientistas portugueses mereceu recentemente referência na publicação internacional sobre robótica "Journal of Intelligent and Robotic Systems", onde é descrito o sistema "Reactive shared-control" que vai possibilitar a navegação semi- autónoma da cadeira em ambientes desconhecidos e dinâmicos.
 

 

"O objectivo deste sistema reactivo é dar assistência aos utentes da cadeira, possibilitando uma navegação mais fácil e segura", continuou, acrescentando que as novas alterações a efectuar no protótipo vão permitir a tomada de decisões baseadas no comportamento e no ambiente circundante.
 

 

"Para percorrer um percurso pré-definido sem chocar com uma pessoa que apareça de repente, a cadeira tem de ter um comportamento reactivo semelhante ao que têm os humanos", explicou.
 

 

Apesar das potencialidades, a cadeira continua sem aplicação fora do Instituto, funcionando apenas dentro de portas como dispositivo para a projecção de desenvolvimentos científicos.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

 

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