Cabelo é espelho do corpo humano

Exposição arranca hoje no Pavilhão do Conhecimento

30 outubro 2002
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O cabelo é o órgão mais activo do corpo humano e também poderá ser a chave para que os cientistas desvendem os segredos relacionados aos sistemas imunológico, circulatório e nervoso.
 

 

Pelo menos é o que garantiram os cientistas reunidos na semana passada em Londres para o «The Hair Affair», um evento aberto ao público que discutiu a «Ciência do Cabelo» na Royal Institution da Grã-Bretanha.
 

 

Se antes o estudo dos fios de cabelo era limitado apenas à cosmética, hoje cientistas vêem os cerca de 115 mil fios que cada pessoa possui como um espelho do corpo humano.
 

 

O cabelo possui cerca de 20 tipos de células com as mais variadas funções. Além de formarem os fios, essas células estão ligadas a diversos sistemas do corpo humano - principalmente o nervoso, o circulatório e o imunológico.
 

 

«Por isso, quando uma pessoa não está saudável, o cabelo logo apresenta mudanças em sua textura e forma», exemplificou Bruno A. Bernard, que trabalha como investigador de uma multinacional de cosmética.
 

 

Mosaico de células
 

Bernard explica que esse mosaico de células muito bem organizado que é o cabelo tem vindo a despertar cada vez mais o interesse da ciência.
 

 

No cabelo existem, por exemplo, células estaminais, células sem uma função específica, mas que são capazes de se transformar noutras células do organismo. «Isso é de uma enorme importância para os cientistas, que podem estudar facilmente o comportamento dessas células-estaminais, apenas arrancando um fio de cabelo», explicou à BBC o cientista.
 

 

Jonathon Rees estuda fios de cabelos há mais de 20 anos e a sua maior especialidade são os cabelos ruivos, tais como os da actriz Nicole Kidman.
 

 

Responsável pela descoberta do gene que dá a pigmentação vermelha ao cabelo (o MC1R), Rees tenta agora traçar a histórica genética dos ruivos.
 

 

«Estamos a descobrir algumas coisas fascinantes. Hoje, acreditamos que, provavelmente, as pessoas ruivas pertencem à etnia mais recente da humanidade. E terão surgido há cerca de 50 mil anos», contou Rees.
 

 

A teoria de Rees é que no continente africano, onde, teoricamente, o homem surgiu há cerca de três milhões de anos, uma pessoa ruiva não poderia sobreviver por causa do sol. «A coloração clara do cabelo e da pele só pode ter surgido recentemente, quando o ser humano se instalou nas regiões mais distantes do Equador possíveis», explicou Rees.
 

 

Para os cientistas, os ruivos não teriam a menor condição de sobreviver em África. Isto porque as pessoas de pele clara produzem pouca melanina, que tem função fotoprotetora. « O estudo da origem, da função e da fisiologia do cabelo pode ajudar mais no entendimento do ser humano como
 

 

Exposição em Portugal
 

 

A mesma exposição que tem vindo a animar o panorama londrino também chega a partir de quarta-feira ao Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.
 

 

«O Cabelo descodifica-se» é uma exposição concebida em conjunto pela Cité des Sciences et de l Industrie - La Villette (França) e pela empresa de cosméticos LOreal.
 

«O cabelo é um objecto de estudo para cientistas, médicos, antropólogos, industriais e sociólogos, além de cabeleireiros e artistas», explicou, em declarações à Agência Lusa, Rosália Vargas, directora do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.
 

 

Como cresce o cabelo, donde vem a sua cor, porque caem os cabelos, quantos cabelos temos em média ou qual a sua capacidade de resistência são algumas das questões a que esta exposição procura dar resposta.
 

 

Por exemplo, num dos módulos da exposição os visitantes vão ter a oportunidade de observar o seu próprio cabelo, mil vezes ampliado, e descobrir mais sobre a sua textura, saúde e formas de o tratar.
 

 

Noutro podem adaptar à sua imagem, gravada por uma câmara de vídeo, cabeleiras de época ou penteados actuais e imprimir aquele que mais gostarem como recordação.
 

 

A exposição ficará patente no Pavilhão do Conhecimento (Parque das Nações) até 11 de Maio de 2003 e conta com o apoio da L Oreal portuguesa.
 

 

Pavilhão do conhecimentoClique aqui
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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