Cabecear bolas e as lesões cerebrais

Médico liga morte de jogador inglês a excesso de cabeceio

13 novembro 2002
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Os jogadores profissionais de futebol deveriam submeter-se a exames psicométricos antes das transferirem de um clube para outro, a fim de detectar danos cerebrais causados por cabeceio.
 

 

Segundo Farhad Afshar, um neurocirurgião britânico, os testes de habilidades verbais e de resolução de problemas, a cada cinco anos, podem levar à identificação de doenças cerebrais, como aquela que contribuiu para a morte do ex-atacante inglês Jeff Astle.
 

 

Jeff Astle, que jogou pelo West Bromwich Albion e pela selecção inglesa, morreu em Janeiro de uma doença cerebral agravada por cabecear pesadas bolas de futebol de couro.
 

 

Um laudo divulgado na segunda-feira mostrou que o atleta, de 59 anos, morreu vítima de uma doença cerebral degenerativa desencadeada por constantes cabeceios.
 

Por isso, o neurocirgião lançou a pergunta: «Por que razão os jogadores não fazem um exame cerebral como parte da bateria inicial de testes».
 

 

A família do jogador apontou a carreira futebolística como a principal responsável pela morte de Astle, que marcou 137 golos ao longo de 292 actuações na liga inglesa. Em 1968, Jeff Astle tornou-se um dos nove atletas a marcar golos em todos os jogos da FA Cup numa única temporada. Defendeu a selecção inglesa no Mundial de Futebol de 1970, no México, e teve um papel importante na derrota de 1 a 0 para o Brasil, jogo que muitos descrevem como uma das melhores partidas já jogadas na história.
 

 

Na segunda-feira, um médico legal confirmou a visão da família, ao determinar que Astle morreu vítima de «doença profissional».
 

 

«O traumatismo craniano que Astle sofreu durante a sua carreira profissional teve, pelo menos, uma contribuição significativa para a doença cerebral degenerativa que, em última instância, causou a sua morte», disse Andrew Haigh, médico legal de South Staffordshire.
 

 

E adiantou: «O que realmente causou a morte foi a formação de proteínas nos vasos cerebrais, de modo que o facto de cabecear bolas de futebol certamente teria um papel importante». Note-se que nos anos 60, as bolas de futebol eram mais pesadas do que actualmente e tendiam a absorver mais água do que hoje em dia.
 

 

Mas, continuou o especialista, provavelmente Astle já tinha uma susceptibilidade à doença cerebral. «Uma condição natural que pode ter influenciado a sua morte, mas não podemos ter a certeza absoluta».
 

 

Entretanto, a Federação Inglesa de Futebol (FA) começou uma investigação para verificar os efeitos dos cabeceios sobre o cérebro. Durante 10 anos, a FA vai analisar 30 jogadores com carreiras entre 18 ou 19 anos em clubes profissionais.
 

 

A Headway, uma associação britânica que estuda lesões cerebrais, declarou não dar muita importância ao estudo.
 

 

Tudo porque, apontou a associação, o número de atletas avaliados é estatisticamente insignificante e alguns deles podem não estar no nível profissional, ou podem ser dispensados em breve dos seus clubes.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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