Bullying na adolescência associado à depressão na idade adulta

Estudo publicado no “The British Medical Journal”

08 junho 2015
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O bullying na adolescência está associado ao desenvolvimento de depressão mais tarde na vida, dá conta um estudo publicado no “The British Medical Journal”.
 

A depressão é um problema de saúde pública com custos económicos e sociais elevados. Tem havido um rápido aumento na depressão desde a infância à idade adulta e um fator que pode estar a contribuir para isso é o bullying a que os adolescentes estão sujeitos. Contudo, a ligação entre o bullying na escola e a depressão na idade adulta ainda é incerta devido às limitações das investigações anteriores.
 

Assim, forma a clarificar esta temática, os investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, analisaram a relação entre o bullying aos 13 anos e a depressão aos 18, tendo contado com a participação de 3.898 indivíduos.
 

Os participantes completaram um questionário aos 13 anos e aos 18 anos foram submetidos a uma avaliação que identificou os indivíduos que preenchiam os critérios acordados a nível internacional para a doença depressiva.
 

O estudo apurou que dos 683 adolescentes que disseram ser alvo de bullying mais que uma vez por semana aos 13 anos, 14,8% tinham depressão aos 18. Dos 1446 adolescentes que tiveram, aos 13 anos, um a três episódios de bullying ao longo de seis meses, 7,1% tinha depressão aos 18 anos. Apenas 5,5% dos adolescentes que não foi submetido a bullying tinha depressão aos 18 anos.
 

Os investigadores verificaram que no total, 2668 participantes tinham reportado ter sido vítimas de bullying e apresentavam depressão, assim como revelaram outros fatores que poderiam causar depressão como bullying na infância, problemas mentais e comportamentais, problemas familiares e eventos stressantes.
 

Quando todos estes fatores foram tidos em conta, os adolescentes que tinham sido sofrido bullying apresentavam um risco duas vezes maior de depressão, comparativamente com aqueles que não tinham sido alvo deste tipo de comportamentos por parte dos seus pares.
 

O tipo mais comum de bullying a que os adolescentes estavam sujeitos era a ofensa verbal (36%), enquanto a 23% tiravam os seus objetos pessoais. A maioria dos adolescentes nunca contou aos professores (41% -74%) ou a um dos pais (24% -51%) sobre os atos de bullying, mas até 75% partilhou com um adulto sobre o bullying físico.
 

Apesar de este ser um estudo observacional, não podendo por isso serem tiradas conclusões definitivas sobre as causas e efeitos, os investigadores defendem que as intervensões para reduzir o bullying poderiam diminuir a depressão mais tarde na vida.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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