Bullying: impactos são visíveis 40 anos mais tarde

Estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”

23 abril 2014
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Os efeitos sociais, físicos e mentais do bullying ainda são evidentes cerca de 40 anos mais tarde, dá conta um estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”. 
 
O bullying é caracterizado por repetidas ações ofensivas para com crianças da mesma idade, situação na qual a vítima tem dificuldade para se defender. O estudo levado a cabo pelos investigadores do King's College London, no Reino Unido, apurou que o efeito nocivo do bullying manteve-se mesmo quando foram tidos em conta outos fatores, incluindo o QI na infância, problemas emocionais e comportamentais, estatuto socioeconómico dos pais, bem como baixo envolvimento dos mesmos na vida dos filhos.
 
Para este estudo os investigadores contaram com a participação de 7.771 crianças cujos pais forneceram informação sobre a exposição dos seus filhos a atos de bullying quando eles tinham entre 7 e 11 anos. As crianças foram acompanhadas até aos 50 anos de idade. 
 
Os investigadores constataram que 28% das crianças tinham sofrido bullying de forma ocasional e 15% de forma frequente Foi verificado que os indivíduos que na infância tinham sofrido bullying de forma ocasional tinham uma maior tendência a ter uma pior saúde física, psicológica, bem como uma mais baixa função cognitiva, aos 50 anos. Os indivíduos que tinham sofrido bullying frequentemente apresentavam um maior risco de ter depressão, distúrbios de ansiedade e pensamento suicida.
 
O estudo também apurou que o bullying estava associado a níveis de educação mais baixos, os homens tendiam a estar desempregados e tinham um salário mais baixo. Os indivíduos que tinham sido submetidos ao bullying apresentavam também uma maior dificuldade em manter uma relação, em terem apoio social e tendiam a ter uma menor qualidade de vida, bem como uma menor satisfação por esta. 
 
“Temos que por de parte a ideia de que o bullying é uma parte inevitável do crescimento. Os professores, pais e decisores políticos devem ter noção que o que acontece no ambiente escolar pode ter longas repercussões na vida das crianças”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Louise Arseneault. 
 
O investigador acrescentou que os programas anti-bullying são extremamente importantes, mas também é necessário focar os esforços numa intervenção precoce, para que os problemas não persistam na adolescência e idade adulta. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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