Bullying: efeitos prolongam-se até à idade adulta

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

15 maio 2014
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As crianças que sofrem de bullying podem ter inflamação crónica e sistémica que persiste até à idade adulta, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Estudos anteriores já tinham sugerido que as vítimas de bullying sofriam consequências sociais e emocionais na idade adulta, incluindo o aumento de ansiedade e depressão. No entanto, estas também apresentam outros problemas de saúde, tais como dor e suscetibilidade à doença.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de Duke, nos EUA, recolheram, ao longo de mais de 20 anos, informações relativas a 1.420 indivíduos que não apresentavam um risco aumentado de doença mental ou de ser vítimas de bullying.
 

Os participantes foram entrevistados durante a infância, adolescência e no início da idade adulta, tendo sido questionados sobre as suas experiências com o bullying.
 

Os investigadores dividiram os participantes em três grupos distintos: os que eram vítimas de bullying, os agressores e também vítimas de bullying e os que eram apenas agressores. Foram também recolhidas amostras de sangue e medidos os níveis da proteína C reativa, um marcador da inflamação e um fator de risco associado à síndrome metabólica e doença cardiovascular.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que os níveis da proteína C reativa podem ser afetados por vários fatores como stress, má nutrição, falta de sono, infeções. Neste estudo foi agora verificado que os níveis da proteína C reativa podem também estar associados a fatores psicossociais.
 

Os investigadores apuraram que apesar dos níveis da proteína C reativa terem aumentado em todos os participantes à medida que estes entravam na idade adulta, as vítimas de bullying apresentavam níveis de proteína C reativa mais elevados que os indivíduos dos outros grupos. Na verdade, os níveis desta proteína aumentavam proporcionalmente ao número de vezes que os participantes tinham sido agredidos.
 

Os jovens adultos que na infância tinham sido agressores e vítimas apresentavam níveis da proteína C reativa semelhantes aos que não tinham sido envolvidos em atos de bullying. Foi ainda verificado que os agressores eram aqueles que apresentavam níveis mais baixos da proteína, inclusivamente inferiores aos que não tinham sido vítimas de bullying. Assim, ser agressor e melhorar o estatuto social parece proteger contra o aumento do marcador inflamatório.

 

Os autores do estudo concluem que apesar de o bullying ser mais comum e parecer ser menos prejudicial que os maltratos na infância, os resultados sugerem que o bullying pode afetar os níveis de inflamação na idade adulta, de forma semelhante ao que ocorre com outras formas de traumas infantis.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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