Bullying e os distúrbios alimentares dos agressores

Estudo publicado no “International Journal of Eating Disorders”

18 novembro 2015
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O bullying tem sido associado a um aumento do risco de ansiedade, depressão, bem como distúrbios alimentares. O estudo publicado no “International Journal of Eating Disorders” revela que não são apenas as vítimas de bullying que estão em maior risco de desenvolverem problemas psicológicos, os próprios agressores também.
 
Os investigadores da Duke Medicine e da Universidade da Carolina do Norte, Nos EUA, ficaram surpresos ao terem descoberto, num grupo de 1.420 crianças, que os agressores apresentavam um risco duas vezes maior de sintomas de bulimia, tais como compulsão e purgação, comparativamente a crianças que não estão envolvidos em bullying.
 
Na opinião do líder do estudo, William Copeland, o facto de provocarem outras crianças pode sensibilizar os agressores para os seus próprios problemas de imagem corporal, ou até, arrependerem-se das suas ações o que pode resultar em sintomas de compulsão alimentar seguidos de purga ou excesso de exercício.
 
Para o estudo os participantes foram divididos em quatro categorias: crianças que não tinham sido envolvidas em atos de bullying, vítimas de bullying, crianças que alternavam entre vítimas e agressores e as crianças que unicamente intimidavam as outras, maltratando repetidamente colegas verbalmente e fisicamente e excluindo-os socialmente.
 
O estudo apurou que as vítimas de bullying tinham um risco de cerca de duas vezes maior de apresentarem sintomas de anorexia e bulimia, comparativamente com as crianças que não estavam envolvidas nestes atos.
 
As crianças que tanto eram vítimas como agressores apresentaram a maior prevalência de sintomas de anorexia e também de compulsão alimentar, comparativamente com as outras crianças que não estavam envolvidas em atos de bullying. Contudo, o impacto do bullying nas crianças agressoras também foi significativo, 30,8 % destas crianças apresentavam sintomas de bulimia comparativamente com os seus pares.
 
De acordo com uma das autoras do estudo, Cynthia M. Bulik, todos estes comportamentos podem ter efeitos devastadores na saúde das crianças a longo prazo.
 
"Infelizmente, os seres humanos tendem a ser mais críticos sobre as características das outras pessoas que gostam menos em si próprias. A própria insatisfação corporal dos agressores pode conduzir ao seu comportamento perante os outros. Estes resultados sugerem que é necessário aumentar a vigilância dos distúrbios alimentares em qualquer um envolvido em atos de bullying, independentemente de ser vítima, agressor ou ambos”, referiu a investigadora.
 
Apesar de muitas crianças sentirem, ao longo da vida, os efeitos do bullying outras conseguem ultrapassar este tipo de experiências. “Necessitamos de perceber a resiliência dos que são alvo de bullying, para sermos capazes de determinar quem necessitará de mais atenção e como podemos promover essas características noutras crianças de forma a aumentar a sua resiliência”, conclui William Copeland.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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