Bullying afecta sistema neuroendócrino do cérebro e conduz à ansiedade

Estudo publicado na “Physiology & Behavior”

14 abril 2011
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O bullying altera os sistemas neuroendócrinos e pode conduzir, a longo prazo, à ansiedade, dá conta um estudo publicado na “Physiology & Behavior”.
 

O líder do estudo, Yoav Litvin, explicou em comunicado de imprensa que " descobrimos que o stress crónico social afecta os sistemas neuroendócrinos que são fundamentais para a adaptação dos comportamentos sociais humanos, tal como as relações e comportamentos dos pais. As alterações nos componentes destes sistemas têm sido associadas a distúrbios humanos como a fobia social, a depressão, a esquizofrenia e o autismo."
 

Para poderem simular o ambiente de competição que está patente em muitas escolas, os investigadores da Rockefeller University, nos EUA, colocaram um ratinho jovem numa gaiola na presença de vários ratinhos maiores e mais velhos. A cada 10 dias colocavam um ratinho jovem diferente . Os ratinhos, como são territoriais, entraram em confronto, sendo que o ratinho mais novo invariavelmente perdia. Após dez minutos de confronto, os ratinhos foram separados através de uma divisória. Esta medida manteve-os fisicamente separados mas permitiu que se visualizassem, cheirassem e ouvissem, criando assim uma experiência stressante para os ratinhos mais novos.
 

Após um dia de intervalo, os ratinhos que tinham sido testados foram colocados na companhia de ratinhos do mesmo tamanho e idade mas que se apresentavam menos ameaçadores. A maior mudança de comportamento registada nos ratinhos foi o facto de aqueles que estavam traumatizados serem mais relutantes em se socializarem com outros ratinhos, preferindo manter distância em relação aos seus homólogos, em comparação com os ratinhos que não sofreram bullying. Os ratinhos mais jovens apresentavam uma maior probabilidade de se manterem no seu lugar por longos períodos de tempo e de exibirem frequentemente comportamentos de "avaliação de risco" em relação a seus novos companheiros de gaiola. Estes comportamentos são indicadores de medo e de ansiedade nos seres humanos.
 

Os investigadores administraram também um fármaco a um grupo de ratinhos, o qual bloqueou os receptores da vasopressina, uma hormona envolvida em vários comportamentos sociais. Isto conduziu a uma limitação parcial de alguns dos comportamentos de ansiedade demonstrados pelos ratinhos intimidados.
 

Seguidamente, os investigadores analisaram os cérebros dos ratinhos, prestando especial atenção a uma região associada à emoção e ao comportamento social. Foi verificado que a expressão do ARNm dos receptores da vasopressina tinha aumentado nos ratinhos que tinham sofrido bullying, tornando-os mais susceptíveis a esta hormona. Esta hormona encontrava-se em níveis elevados nos ratinhos que apresentavam ansiedade inata. Nos humanos, esta hormona está associada ao stress, agressão e ansiedade. O aumento de receptores de vasopressina foi especialmente notado na amígdala.
 

Litvin acredita que estes resultados sugerem que as vítimas de bullying podem ter dificuldades em estabelecer novos relacionamentos e identifica também um possível papel para o receptor específico da vasopressina. "A identificação dos sistemas neuroendócrinos do cérebro que são afectados pelo stress abre portas para possíveis intervenções farmacológicas", acrescenta ainda o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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