Bulimia: sintomas podem ser reduzidos através da estimulação cerebral não invasiva

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

30 janeiro 2017
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Os sintomas chave da bulimia nervosa, incluindo a necessidade compulsiva de ingestão de alimentos e a restrição de alimentos, ficam reduzidos com estimulação cerebral não invasiva, atesta um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 
Segundo o King's College London, no Reino Unido, em informação veiculada no seu sítio da Internet, a bulimia é um distúrbio alimentar caracterizado por um círculo vicioso de episódios repetidos de compulsão alimentar e tentativas inadequadas de compensar a ingestão excessiva de alimentos através de vómitos, dietas extremas ou utilização indevida de diferentes medicamentos. 
 
Estes sintomas são tipicamente impulsionados por uma preocupação excessiva com o peso, a forma ou a aparência do corpo. Ao longo do tempo, estas características tornam-se compulsivas e assemelham-se às de uma adição.
 
Habitualmente esta condição surge na adolescência e é mais provável de se desenvolver em mulheres. Acredita-se que entre um a dois por cento das mulheres sofram deste distúrbio em algum momento da sua vida. A bulimia está associada a várias complicações clínicas sendo que quatro por cento dos indivíduos afetados morrem prematuramente da doença.
 
Embora os tratamentos existentes, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), sejam eficazes para muitos indivíduos com bulimia, uma proporção substancial não melhora com este tipo de terapias. Desta forma, há uma grande necessidade de desenvolver novas técnicas estando os investigadores focados em tecnologias que podem ter por alvo a base neural dos distúrbios alimentares.
 
Estudos anteriores conduzidos pelos investigadores do King's College London, no Reino Unido, já tinham apurado que a estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS, sigla em inglês), um tratamento já aprovado para a depressão nos EUA, era eficaz na redução da ansiedade alimentar em pacientes com bulimia.
 
Neste estudo, os investigadores liderados por Ulrike Schmidt, analisaram a utilização da estimulação transcraniana de corrente contínua (tDCS, sigla em inglês), uma forma menos dispendiosa e mais portátil da estimulação cerebral. A tDCS utiliza elétrodos para estimular partes específicas do cérebro, o que poderá melhorar a função cognitiva em áreas envolvidas no processamento da recompensa e autocontrolo. O tratamento é indolor e o efeito secundário mais comum é um ligeiro prurido ou formigueiro no couro cabeludo.
 
No estudo, 39 indivíduos foram tratados com tDCS e um placebo, com um período de pelo menos de 48 horas entre as duas sessões. Foram utilizados questionários antes e depois de cada sessão para medir o desejo compulsivo de ingerir alimentos e outros sintomas da bulimia, incluindo preocupações com o peso e forma, restrição da ingestão de alimentos, níveis de autocontrolo e autoestima.
 
O estudo apurou que estes sintomas de bulimia ficaram significativamente reduzidos após o tratamento com tDCS, mas não com a sessão placebo. As pontuações iniciais de ingerir compulsivamente alimentos reduziram em 31% após o tratamento.
 
Maria Kekic, a primeira autora do estudo, do Instituto de Psiquiatria, refere que estes achados sugerem que a estimulação cerebral não invasiva suprime o desejo de ingerir compulsivamente alimentos e reduz a gravidade de outros sintomas comuns em indivíduos com bulimia nervosa, pelo menos temporariamente. A investigadora acredita que esta terapia melhora o controlo cognitivo das características compulsivas da doença.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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