Bruxelas proíbe pastilhas e gotas de flúor

Especialistas portugueses criticam medida

31 julho 2002
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A proibição da venda de comprimidos e gotas com flúor na Bélgica, por alegadamente provocar osteoporose, foi recebida pelos dentistas portugueses com apreensão, sendo a iniciativa encarada como, no mínimo, passível de "efeitos catastróficos".
 

 

O anúncio do ministério da Saúde belga, feito terça-feira, teve por base estudos científicos que terão encontrado uma relação entre a toma de flúor e a osteoporose. Sem especificar a dimensão do estudo, o ministério belga decidiu retirar do mercado os produtos de flúor comercializados, como comprimidos, pastilhas e sobretudo complementos alimentares.
 

 

Em Portugal, o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) não recebeu qualquer informação da sua congénere belga relativamente à suspensão de medicamentos, referiu ao DN o presidente do conselho de administração, Rui Ivo.
 

 

Para o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, esta medida "não pode ter qualquer base científica" e alerta para os resultados "catastróficos" que a medida pode ter a nível da saúde oral, já que "o flúor é seguramente a melhor forma de prevenir as cáries". Sobre os suplementos de flúor em comprimidos e gotas, frisou que este só pode ter efeitos negativos se for tomado indevidamente.
 

 

"Tem de existir um controlo e uma certa cautela na administração destes produtos que, por isso, são receitados por médicos dentistas ou por pediatras", neste último caso quando são prescritos às crianças. Uma vez que este controlo existe, Orlando Monteiro da Silva não entende a reacção do ministério e receia ver concretizada a intenção do governo belga de que a interdição venha a ser objecto de uma directiva comunitária, o que poderia ter reflexos em Portugal.
 

 

Segundo anunciou o ministério belga, apoiado no estudo elaborado pelo Conselho Superior de Higiene e o Conselho Nacional belgas, as doses de flúor diárias recomendadas oscilam entre os 0,25 miligramas para as crianças entre os zero e os dois anos e 0,5 para as crianças de dois a 12 anos. O estudo considera que para as mulheres grávidas não é aconselhável qualquer suplemento de flúor, salvo prescrição médica.
 

 

Valores que, para o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas levariam, por exemplo, à "retirada das águas minerais gaseificadas" do mercado português, o que seria uma medida "sem qualquer fundamento científico".
 

 

O especialista em saúde oral comunitária e professor da Faculdade de Medicina Dentária do Porto, Acácio Couto Jorge, desmonta os argumentos dos belgas: "Não só não provoca a doença como a previne, uma vez que faz a captação do cálcio".
 

 

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Fonte: Diário de Notícias
 

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