Brócolos poderão ajudar no tratamento do autismo?

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

16 outubro 2014
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Uma substância química presente nos rebentos de brócolos poderá aliviar os sintomas comportamentais associados às perturbações do espectro autista, defende um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

As perturbações do espectro autista, que afetam cerca de 1 a 2% da população mundial, são caracterizadas por uma pobre interação social e comunicação verbal. Apesar de as suas causas ainda não estarem completamente estabelecidas, existem alguns distúrbios bioquímicos e moleculares que tendem a estar associados a este tipo de perturbações. Alguns estudos têm indicado que as células dos indivíduos com perturbações do espectro autista apresentam níveis elevados de stress oxidativo.
 

Em 1992, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Johns Hopkins, nos EUA, já tinham constatado que uma substância química presente nos brócolos, o sulforafano, era capaz de reforçar as defesas naturais do organismo contra o stress oxidativo, inflamação e danos no ADN. Verificou-se ainda que esta substância era capaz de melhorar a resposta do organismo ao choque térmico, uma cascata de eventos envolvidos na proteção das células contra o stress causado por elevadas temperaturas. Curiosamente, cerca de metade dos pais relatam que o comportamento dos seus filhos autistas melhora visivelmente quando eles têm febre, a qual é revertida quando a febre desaparece.
 

Uma vez que a febre, tal como o sulforafano, inicia a resposta do organismo ao choque térmico, esta mesma equipa de investigadores decidiu averiguar se o sulforafano poderia, tal como a febre, causar a mesma melhoria temporária.

 

Assim, para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 40 indivíduos com autismo moderado a severo que tinham entre 13 e 27 anos. Antes do início do estudo, os pacientes foram submetidos a várias avaliações comportamentais que incluíram: lista de verificação de comportamentos aberrantes (ABC, do inglês Aberran Behavior Checklist), escala social de recetividade (SRS, do inglês Social Responsiveness Scale) e escala de impressão clínica global da melhoria (CGI-I, do inglês Clinical Global Impression of Improvement).

 

Vinte e seis dos pacientes foram testados, com base no seu peso, com 9-27 mg de sulforafano por dia, e os 14 restantes receberam placebos. As avaliações comportamentais foram novamente realizadas às quatro, dez e 18 semanas, do tratamento. A avaliação final foi concluída, para a maioria dos participantes, quatro semanas após o tratamento ter terminado.
 

O estudo apurou que a maioria dos pacientes tratados com sulforafano apresentou melhorias significativas logo após as quatro semanas. Após 18 semanas de tratamento verificou-se que, em média, os resultados das avaliações ABC e SRS para aqueles que tinham sido tratados com sulforafano tinham diminuído 34 e 17%, respetivamente, com melhorias nas crises de irritabilidade, letargia, movimentos repetitivos, hiperatividade, conscientização, comunicação, motivação e maneirismos.
 

Após 18 semanas de tratamento, de acordo com a escala CGI-I, 46, 54 e 42% dos pacientes tratados com sulforafano apresentaram melhorias visíveis na interação social, comportamentos aberrantes e comunicação verbal, respetivamente.
 

"Acreditamos que esta possa ser uma evidência preliminar para o primeiro tratamento do autismo, que melhora os sintomas aparentemente através da correção de alguns dos problemas celulares associados", revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Paul Talalay.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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