Bombeiros mais expostos a desenvolver cancro

Estudo avalia mais de 30 mil bombeiros da Flórida, ao longo de 20 anos

17 fevereiro 2003
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Os bombeiros parecem apresentar taxas de cancro um pouco mais altas que o resto da população. Esses resultados oferecem provas adicionais de que a profissão pode colocar riscos para saúde mesmo após os perigos imediatos, aos quais os bombeiros são expostos para salvar vidas.
 

Os cientistas chegaram a essa conclusão após analisar dados de mais de 30 mil bombeiros da Flórida, ao longo de 20 anos. Esse é o maior estudo já realizado com essa população sobre os riscos de desenvolver cancro.
 

 

Segundo Fangchao Ma, coordenador da equipa da Universidade de Miami, o estudo não demonstra que os bombeiros desenvolveram cancro por causa do trabalho. Os dados apontam apenas que o risco de apresentar a doença parece ser um pouco mais elevado do que para a população em geral.
 

 

Possivelmente, apontam os investigadores à Reuters, serão os factores ligados ao estilo de vida os responsáveis pela probabilidade aumentada de ter cancro.
 

 

A equipa também informou que os bombeiros parecem ser mais susceptíveis que a população da Flórida a desenvolver tumores, principalmente de pele e do sistema respiratório.
 

Os investigadores encontraram resultados semelhantes quando combinaram os dados dos trabalhadores - bombeiros em «full-time» com os de 30 mil bombeiros voluntários na Flórida.
 

 

Estudos anteriores já tinham demostrado que os bombeiros apresentam riscos um pouco maiores de desenvolver determinados tipos de tumores -- como de cérebro, rim e bexiga. Neste estudo, os bombeiros apresentaram uma probabilidade um pouco superior à média de desenvolver essas doenças. Mas as diferenças foram tão pequenas, que poderiam ser resultado do acaso.
 

 

Em entrevista à Reuters, Ma disse que, em teoria, os bombeiros podem ter uma exposição maior a agentes que provocam o cancro, uma vez que os edifícios são feitos de uma grande variedade de material. Os incêndios queimam esses materiais, libertando-os no ar.
 

 

A equipa da Universidade de Miami acompanhou a saúde de 35.777 bombeiros, certificados entre 1972 e 1999, na Flórida. Durante o período analisado, 364 bombeiros morreram em sequência de cancro.
 

 

Ma explicou que os bombeiros usam equipamentos que os protegem da inalação de fumo tóxico. No entanto, explica o investigador, como os aparelhos são muito pesados, muitos bombeiros tiram-nos quando o incêndio está controlado. Além disso, após a extinção das chamas, voltam ao local para verificar se ainda existe fogo e avaliar os danos. «É aí que ficam expostos», disse o cientista.
 

 

A redução da probabilidade de os bombeiros inalarem substâncias químicas nocivas exigirá que sejam orientados a usar o equipamento especial para respiração durante todo o tempo de exposição, mas também o desenvolvimento de aparelhos que sejam mais confortáveis de utilizar.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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