Bloqueio de uma enzima melhora a memória

Descoberta poderá judar nas terapias contra o esquecimento em idosos

28 agosto 2002
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Cientistas suíços aumentaram a capacidade de aprendizagem e memória em ratinhos de laboratório bloqueando-lhes uma enzima do cérebro, um resultado que admitem poder vir a contribuir para o desenvolvimento de terapias contra o esquecimento em idosos.
 

 

O trabalho, cujos resultados poderão ser aplicados em geriatria, concentra-se numa enzima, a PP1, que tem um papel chave no sistema do cérebro que apaga as memórias.
 

 

Mesmo cientistas segundo os quais não é claro que esta descoberta possa conduzir a terapias para aumentar a memória em pessoas idosas consideram o trabalho muito importante.
 

 

"Vai-nos fazer pensar em novas e diferentes formas de abordar o esquecimento", disse James McGaugh, director do Centro de Neurologia de Aprendizagem e Memória na Universidade da Califórnia, em Irvine.
 

 

"O estudo indica que temos uma molécula no cérebro que nos está constantemente a fazer esquecer das coisas, e que, quando a bloqueamos, o processo de esquecimento abranda", acrescentou.
 

 

A investigação está descrita na edição de quinta-feira da revista Nature por uma equipa conduzida por Isabelle Mansuy, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, em Zurique.
 

 

Pensava-se que a enzima desempenhava algum papel no apagar das memórias, mas o que fazia em concreto não era ainda claro, explicou Mansuy.
 

 

Os investigadores modificaram ratinhos geneticamente de forma a poderem bloquear-lhes a PP1 através da comida.
 

 

Descobriram que os ratinhos nos quais a PP1 tinha sido inibida conseguiam melhores resultados em testes de aprendizagem e memória.
 

 

Os ratinhos mais velhos conseguiram também melhores resultados quando a PP1 lhes foi suprimida, o que sugere uma possível abordagem ao tratamento da perda de memória relacionada com a idade, disse Mansuy.
 

 

"Isto indica que no cérebro velho a maquinaria molecular não está completamente deteriorada e que estas funções podem ser restauradas se apenas um componente, a PP1, for bloqueado", disse.
 

 

Eric Kandel, professor da Universidade de Columbia laureado com o Nobel da Medicina pelo seu trabalho sobre a natureza da aprendizagem e memória, admitiu que esta investigação é um passo importante para a ciência, que fica a compreender melhor os constrangimentos do cérebro na formação da memória a longo prazo.
 

 

"Isto mostra que se forem removidos esses constrangimentos somos capazes de aumentar a capacidade de armazenamento de memória", disse.
 

 

"O facto de isto também se verificar em ratinhos mais velhos apenas engrandece o trabalho", acrescentou.
 

 

Num outro estudo sobre a biologia do cérebro referenciado na Nature, investigadores escoceses apresentaram provas de que uma variante de um gene relacionado com a doença de Alzheimer pode também prejudicar as capacidades mentais de pessoas não afectadas pela doença.
 

 

O trabalho envolveu 466 pessoas que realizaram um teste de capacidade mental aos 11 anos de idade e um outro aos 80. Do grupo, 121 eram portadores da variante do gene APOE E4, que aumenta o risco de sofrer de Alzheimer.
 

 

Nenhuma das pessoas estudadas tinha Alzheimer ou qualquer outra forma de demência, mas enquanto os resultados dos testes dos portadores e não portadores do gene eram basicamente iguais aos 11 anos de idade, a média de resultados nos portadores foi ligeiramente inferior aos 80.
 

Fonte: Lusa

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