Bisturi inteligente deteta tecido canceroso

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

22 julho 2013
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Investigadores do Reino Unido desenvolveram um bisturi inteligente que pode ajudar os cirurgiões a saber, num espaço de poucos segundos, se o tecido que estão a cortar é canceroso ou saudável, dá conta um estudo publicado na “Science Translational Medicine”.
 

Nos cancros que envolvem tumores sólidos, a sua remoção através de cirurgia é habitualmente a melhor esperança no que diz respeito ao seu tratamento. O cirurgião retira habitualmente o tumor com uma margem de tecido saudável. Contudo, é muitas vezes impossível ter a certeza da origem do tecido. Na verdade, um em cada cinco pacientes com cancro da mama, tem de ser sujeito a uma segunda cirurgia para que o cancro seja completamente removido. Em casos de incerteza, o tecido é enviado para análise enquanto o paciente está sob a ação de uma anestesia geral.
 

Contudo, este procedimento pode agora ser facilitado com este novo bisturi inteligente, que foi apelidado por “iKnife”. Este instrumento baseia-se na eletrocirurgia, uma técnica que utiliza a corrente elétrica que rapidamente aquece o tecido e o vaporiza.
 

Os investigadores do Imperial College de Londres, no Reino Unido, aperceberam-se que este vapor poderia ser uma fonte de informação biológica. Desta forma, acoplaram ao bisturi eletrocirúrgico um espetrofotómetro de massa, um instrumento analítico capaz de identificar substâncias químicas presentes numa determinada amostra. Diferentes tipos de células produzem centenas de metabolitos em diferentes concentrações, assim o perfil de químicos na amostra biológica pode fornecer informação sobre o estado do tecido.
 

Neste estudo os investigadores utilizaram o iKnife para analisar amostras de tecidos de 302 pacientes cirúrgicos, analisando as características de centenas de tecidos cancerosos e saudáveis, incluindo cérebro, pulmão, mama, estômago, cólon e fígado com o objetivo de criar uma livraria de referência. Através da comparação das leituras obtidas durante a cirurgia com as encontradas na libraria de referência, os investigadores foram capazes de determinar qual o tipo de tecido em causa, em menos de três segundos.
 

O estudo apurou que este novo utensílio foi capaz de diagnosticar com 100% de precisão as amostras provenientes de 91 pacientes. O iKnife produz resultados quase instantâneos, permitindo aos cirurgiões realizar os procedimentos com um nível de precisão que não tinha sido possível até à data. “Acreditamos que a utilização deste instrumento tem a capacidade de reduzir a taxa de recorrência dos tumores e permitir um maior número de sobreviventes”, conclui o autor do estudo, Zoltan Takats.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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