Bioterrorismo : Um problema de saúde pública
18 fevereiro 2002
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O bioterrorismo deixou de ser uma consequência da "guerra biológica" para se tornar um problema extremamente delicado de saúde pública, alertam alguns dos principais peritos norte- americanos na matéria.
 

 

Há cinco anos bastavam 130,5 milhões de euros de investimento na luta contra o bioterrorismo. Esse valor ultrapassa hoje os 8.705 milhões de euros, afirmou David Franz, perito em doenças infecciosas no Southern Research Institute.
 

 

Franz, juntamente com outros especialistas, participou numa conferência intitulada "Bioterrorismo num mundo ameaçador", no âmbito da reunião anual da Associação norte-americana para o Avanço das Ciências (AAAS - sigla em inglês), que decorre até terça-feira.
 

 

"O bioterrorismo tem cerca de 5 por cento de bio e 95 por cento de terrorismo", afirmou o investigador, que trabalhou durante mais de 20 anos no Instituto de Investigações Médicas e de Doenças Infecciosas do Exército norte-americano.
 

 

O termo "bioterrorismo" figura nos relatórios do Pentágono e nas primeiras páginas de vários meios de comunicação desde há décadas, mas nunca a sociedade tinha tido um sinal claro do que isso poderia representar.
 

 

Os atentados terroristas perpetrados em 11 de Setembro agudizaram os receios do possível uso de armas químicas e biológicas contra a população.
 

 

O perigo do anthrax
 

 

Poucos dias depois, a 04 de Outubro de 2001, o aparecimento da bactéria do carbúnculo no correio nacional norte-americano representou o caso mais grave de bioterrorismo registado no país nos últimos 100 anos.
 

 

Um total de cinco pessoas morreram, enquanto que outras 18 registaram sintomas de carbúnculo pulmonar ou cutâneo.
 

 

Mas o clima de medo e as sequelas que deixou transformaram-no num dos piores episódios da segurança pública norte-americana.
 

 

Ainda não existem pistas sobre os autores do envio das cartas contaminadas com esporos de carbúnculo, mas os investigadores acreditam no envolvimento de um cientista com conhecimentos profundos em matéria de virologia, provavelmente oriundo dos EUA.
 

 

Claire Frazer, presidente do Instituto de Investigações Genómicas (TIGR), que participou igualmente na reunião científica de Boston, afirmou que as investigações para determinar a origem do bacilo utilizado pelos terroristas estão a avançar.
 

 

"Ainda é prematuro concluir sobre a sua origem, mas temos encontrado diferenças" entre as estirpes utilizadas pelos militares dos EUA no seu programa bacteriológico, e as recolhidas na Flórida, onde foi detectado o primeiro caso de carbúnculo, acrescentou.
 

 

Os Estados Unidos desenvolveram nos anos 60 uma estirpe de bacilos de anthrax conhecida como Ames devido ao nome dos laboratórios do Iowa onde foi isolada.
 

 

Numerosos investigadores do Centro norte-americano de Prevenção de Doenças e dos Institutos Nacionais de Saúde tentam decifrar os genes do bacilo, a fim de identificar a sua exacta procedência.
 

 

Descobrir as respostas
 

 

Frazer defende que a genómica dos micróbios, disciplina que tenta obter o genoma dos microorganismos, pode proporcionar respostas para algumas perguntas que hoje fazem as autoridades norte-americanas.
 

 

Matthew Meselson, investigador em microbiologia da Universidade de Harvard, Massachusetts, considera que os autores dos atentados com anthrax possuem, obviamente, profundos conhecimentos sobre manipulação de vírus e bactérias.
 

 

O modo como os esporos foram desenvolvidos para que se mantivessem a flutuar no ar durante mais tempo quando foram dispersos indica que o bacilo foi processado num laboratório avançado, provavelmente norte-americano.
 

 

Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, NIAID, sublinhou que a investigação deve manter-se no campo da análise das possíveis ameaças, mas também no do desenvolvimento de medicamentos que permitam o tratamento de possíveis contágios.
 

 

Fonte: Lusa
 

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