Bioterrorismo : Efeitos psicológicos são piores que os físicos

Peritos alertam para perigos de histeria colectiva

19 outubro 2001
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O sobressalto em que vivem as pessoas receosas de um ataque com armas biológicas ou químicas catalisa o que de pior teria um eventual atentado bioterrorista.
 

 

Especialistas afirmam que os efeitos psicológicos são neste caso piores do que os físicos, plantando sementes que poderão, a longo prazo, desencadear episódios de histeria colectiva, refere hoje em editorial a revista médica «British Medical Journal».
 

 

O texto, subscrito por vários investigadores, incluindo Simon Wessely, professor de psicologia no Instituto Psiquiátrico de Londres, sustenta que o propósito principal do bioterrorismo é causar danos por via psicológica, semeando o medo, a confusão e a incerteza no quotidiano.
 

 

Efeitos a longo prazo
 

 

Apesar das consequências de um ataque serem menores do que «algumas possibilidades apocalípticas apresentadas pelos meios de comunicação», as repercussões do medo, a longo prazo, podem ser piores do que o previsto, explicam os autores do documento.
 

 

Segundo os cientistas, o medo da doença do carbúnculo, por exemplo, poderá alimentar problemas psicológicos a longo prazo e desencadear episódios de histeria colectiva.
 

 

Falta de confiança
 

 

Como as autoridades médicas não podem garantir a cem por cento que um contacto, mesmo breve, com o agente tóxico não vai causar danos, a frustração e a desconfiança em relação aos médicos e aos poderes públicos é crescente.
 

 

Estes sentimentos, advertem os cientistas, retiram às instituições governamentais a confiança necessária para recuperarem de um possível ataque com armas químicas ou biológicas.
 

 

Este tipo de armas distingue-se dos dispositivos de terror com os quais a opinião pública foi confrontada no passado, como os ataques aéreos, ameaças visíveis, quantificáveis e, portanto, geríveis.
 

 

A doença do carbúnculo, ou anthrax, por exemplo, apresenta-se como uma ameaça invisível, que pode levar as pessoas a considerarem-se incapazes de lidar com ela e a mergulhar na angústia.
 

 

Lusa
 

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