Biotecnologia para as Doenças Infecciosas

Estratégia de luta passa por Lisboa

08 outubro 2002
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Discutir os desafios científicos e económicos do combate às doenças infecciosas é o objectivo de uma reunião patrocinada pela OCDE que se realiza em Lisboa até quarta-feira.
 

 

A conferência, sob o tema "Biotecnologia para as Doenças Infecciosas", deverá reunir na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) entre 150 e 200 especialistas de todo o mundo, envolvendo investigadores e representantes dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos).
 

 

"Malária, tuberculose e sida são as três principais doenças infecciosas que, até há meia dúzia de anos, afectavam sobretudo os países tropicais e não interessavam grandemente aos países da OCDE, uma espécie de clube das nações mais desenvolvidas", explicou à Agência Lusa Alexandre Quintanilha, director do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto e organizador da conferência.
 

 

Actualmente, a situação mudou radicalmente, já que "estas doenças invadiram" os países desenvolvidos e, há cerca de dois anos, os países da OCDE concordaram em ter uma primeira reunião para discutir o problema.
 

 

"A reunião vai trazer pessoas dos países em vias de desenvolvimento (África, América Latina e Oriente) para, em conjunto com representantes dos países da OCDE, fazerem o ponto da situação actual e delinearem estratégias para o futuro", explicou.
 

 

O objectivo, segundo Quintanilha, é duplo: "Saber onde estamos do ponto de vista científico e discutir que formas de colaboração económica se podem estabelecer para lidar com o problema de forma global".
 

 

Da agricultura para a medicina
 

 

De acordo com o director do IBMC, vive-se um momento em que os avanços da aplicação das novas tecnologias à biologia (biotecnologia) começam finalmente a ser importantes não só na área da agricultura mas também na da saúde, nomeadamente nas doenças infecciosas.
 

 

Assim, na reunião de Lisboa serão abordados temas como a resistência aos medicamentos, o desenvolvimento de vacinas, as colaborações público-privado e a transferência de tecnologia de modo a discutir estratégias globais para combater as doenças infecciosas.
 

 

Nesta reunião serão também apresentados os primeiros resultados de uma plataforma constituída em Abril entre a Comissão Europeia e os países em vias de desenvolvimento para a realização de ensaios clínicos sobre as doenças relacionadas com a pobreza.
 

 

Apoios
 

 

A Comissão Europeia (CE) propõe-se contribuir com 200 milhões de euros (40 milhões de contos) para o Programa Afro- Europeu de Ensaios Clínicos (European-Developing Countries Clinical Trials Programme - EDCTP).
 

 

Esta iniciativa enquadra-se na prioridade estabelecida mundialmente de combate às doenças relacionadas com a pobreza: sida, malária e tuberculose, que vitimam mais de cinco milhões de pessoas por ano.
 

 

Fonte: Lusa
 

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