Biópsia poderá ser insuficiente para identificar mutações oncológicas resistentes

Estudo publicado no “Cancer Discovery”

11 fevereiro 2016
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A biópsia a uma única lesão metastática para a identificação de novas mutações poderá não ser suficiente para reconhecer outras que surjam em diferentes metástases, revela um estudo internacional publicado no periódico científico “Cancer Discovery”. De acordo com cientistas norte-americanos e italianos, a análise de fragmentos de ADN no sangue poderá dar um importante contributo relativamente à base molecular do cancro de um paciente.
 

Um estudo levado a cabo por cientistas do Centro Oncológico do Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, e da Universidade de Torino, em Itália, descobriu que “o mecanismo molecular de resistência que emerge numa lesão metastática durante uma determinada terapêutica pode ser totalmente diferente do mecanismo de resistência de outra lesão no mesmo paciente”. Segundo o comunicado emitido pela universidade americana, os cientistas concluem que “a prática habitual de realizar análises moleculares à biópsia de uma única lesão metastática poderá ser inadequada” e propõem que a análise ao ADN tumoral circulante poderá ser uma forma mais eficaz de identificar a diversidade molecular tumoral de um paciente, permitindo, dessa forma, selecionar as melhores terapias para ultrapassar a resistência aos tratamentos.
 

O estudo relata o caso de um paciente com cancro colorretal metastizado para o fígado que respondeu positivamente ao tratamento com anticorpos contra o EGFR, mas que, passados 15 meses, desenvolveu resistência aos mesmos. De forma a identificar as mutações responsáveis por essa resistência, foi analisada a amostra de uma biópsia à metástase no fígado. Esta análise identificou uma mutação na proteína MEK1, responsável pela resistência aos anticorpos contra o EGFR, tendo o paciente sido tratado com um fármaco inibidor da MEK e com outros anticorpos contra o EGFR.
 

Três meses após o início da terapia combinada, uma TAC abdominal revelou que a lesão metastática no fígado tinha reduzido, contudo, outras lesões metastáticas continuavam a desenvolver-se.
 

Os cientistas analisaram então amostras de sangue retiradas antes e durante o tratamento com terapêutica combinada. A análise ao ADN tumoral circulante revelou a presença de uma mutação na proteína KRAS que não tinha sido detetada anteriormente através da biópsia. Embora os níveis da mutação MEK1 tivessem diminuído na amostra do sangue retirado durante o tratamento combinado, os níveis da mutação KRAS tinham aumentado consideravelmente.
 

Ainda que a mutação KRAS não tivesse sido detetada na lesão com a mutação MEK1, esta foi identificada numa das lesões que tinham continuado a desenvolver-se durante a terapia combinada. Isto significa que duas mutações resistentes se tinham desenvolvido em paralelo e estavam na base das diferenças de crescimento de metástases distintas.
 

“No geral o nosso estudo demonstra de que forma mecanismos de resistência distintos, que se desenvolvem em diferentes metástases no mesmo paciente, podem orientar respostas diferenciadas a terapêuticas subsequentes entre metástases tumorais individuais”, refere Ryan Corcoran, um dos autores do estudo.
 

Além de chamar a atenção para os potenciais perigos de, no caso de desenvolvimento de resistência, selecionar a terapêutica tendo por base apenas a análise molecular a uma biópsia tumoral, este estudo demonstra ainda o potencial da integração da biópsia líquida na tomada de decisão.
 

No entanto, apesar do grande desenvolvimento nas técnicas de análise do ADN tumoral circulante, os autores consideram que ainda não é possível que as biópsias líquidas substituam por completo as biópsias tumorais.
 

“Precisamos de aprender de que forma podemos explorar melhor as biópsias líquidas de maneira a permitir uma monitorização do tumor do paciente em tempo real”, permitindo, dessa forma, antecipar possíveis resistências e alterar os tratamentos em conformidade, revela Corcoran.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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