Biólogo descobre como «desligar» genes

Mecanismo universal controlar um ser vivo e até a sua reprodução

12 agosto 2002
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Uma nova etapa na história da biologia está a ser iniciada. Um biólogo norte-americano descobriu a existência de um mecanismo universal, até agora ignorado, que permite controlar um ser vivo e até a sua reprodução. Os cientistas chamam-lhe "interferência do ARN" e consiste na possibilidade de neutralizar - destruir ou deixar inactivo -determinados genes, nomeadamente os patogénicos.
 

 

A compreensão e a aplicação deste mecanismo abrem perspectivas nunca antes equacionadas. No que diz respeito ao genoma das plantas, dos animais ou dos humanos, pode ser uma revolução.
 

 

Uma das grandes potencialidades desta descoberta é a possibilidade de se criarem novas ferramentas terapêuticas contra as doenças infecciosas virais (a sida, as hepatites) ou mesmo contra processos cancerígenos.
 

 

Se os investigadores ainda hesitam em situar o verdadeiro alcance desta descoberta, a maior parte dos biólogos que estão informados do que se está a passar declaram-se apaixonados pela riqueza do avanço científico. Ainda para mais esta descoberta surge no momento em que a gigantesca tarefa internacional de identificar a sequência da totalidade do genoma humano está prestes a terminar.
 

 

Tudo começou em 1990 numa investigação sobre as petúnias. O professor Richard Jorgensen, da Universidade do Arizona, em Tucson, iniciou experimentações sobre os mecanismos moleculares da coloração. Partindo de uma técnica genética o investigador conseguiu obter uma alteração da cor das suas petúnias, integrando no património genético da planta genes capazes de modificar a leitura de outros genes vegetais naturalmente responsáveis pela coloração. Sem ter consciência disso, o professor Jorgensen acabava de descobrir as bases do processo dito "interferência de ARN".
 

 

Determinante foi, afinal, uma anomalia nas suas manipulações. Habituado a transformar petúnias-malva em petúnias-brancas, o biólogo quis tornar as suas flores numa cor de malva mais intensa.E a surpresa: Foram as flores brancas que floriram. Enxertar um gene onde a função de coloração estava já assumida por um gene "natural" da petúnia inibia o mecanismo de coloração.
 

 

Fonte:Diário de Notícias
 

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