Biogel inteligente destrói cancro

Estudo publicado na revista “Biomaterials”

24 novembro 2015
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Investigadores do Canadá desenvolveram um biogel inteligente que é capaz de fornecer diretamente agentes anticancerígenos aos tumores. O estudo publicado na revista “Biomaterials” pode um dia revolucionar o tratamento de várias formas de cancro.
 
O novo biogel desenvolvido pelos investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, fica líquido à temperatura ambiente e adquire a forma de gel aos 37?C, temperatura corporal.
 
Os investigadores explicam que o biogel é compatível com as células imunitárias anticancerígenas. Desta forma permite que estas células ou fármacos anticancerígenos sejam encapsulados no biogel e administrados diretamente no tumor através de uma seringa ou cateter. 
 
“Em vez de injetar as células imunitárias anticancerígenas ou os fármacos no organismo tudo através da corrente sanguínea podemos tratar o cancro localmente. Esperamos que esta abordagem direcionada melhore as atuais imunoterapias”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Réjean Lapointe.
 
Uma das formas de imunoterapia, denominada por terapia celular adotiva, utiliza células imunitárias anticancerígenas para tratar os pacientes com cancro. O objetivo desta terapia é aumentar a presença de linfócitos T, ou células T, no organismo. Estas células são produzidas naturalmente pelo organismo e têm a capacidade de destruir as células cancerígenas. Contudo, habitualmente não se encontram em número suficiente de forma a conseguirem erradicar o cancro sozinhas.
 
Na terapia celular adotiva, os linfócitos T são cultivados e crescem em laboratório, a partir de uma amostra do próprio paciente, e posteriormente são injetadas de novo no sangue do doente. Apesar deste tipo de terapia ter conduzido a resultado promissores, nem sempre é produzida a quantidade suficiente de linfócitos T para matar completamente o cancro. Adicionalmente, e com o intuito de maximizar a terapia, têm de ser administradas elevadas doses de interleuquina -2, que tem efeitos tóxicos. 
 
No entanto, com esta nova técnica é apenas necessário administrar algumas dezenas de milhões de células T, em vez de bilhões. Paralelamente, também é possível administrar compostos que acordam o sistema imunitário a combater o cancro.
 
Os investigadores referem que o gel não é tóxico e fornece um ambiente ideal no qual as células imunitárias encapsuladas podem crescer e replicarem-se. Atua como que um reservatório celular para combater o cancro.
 
O biogel foi testado com sucesso em vários modelos in vitro incluindo melanoma e cancro do rim.
 
“Os linfócitos T no gel são funcionais e podem crescer durante duas a três semanas, serem libertados do gel e matarem as células cancerígenas”, disse Réjean Lapointe. No futuro próximo os investigadores vão tentar demonstrar a eficácia do biogel em animais e humanos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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