Bilingues têm mais massa cinzenta

Estudo publicado na revista “Cerebral Cortex”

29 julho 2015
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Os indivíduos bilingues têm mais massa cinzenta na região executiva do cérebro, dá conta um estudo publicado na revista “Cerebral Cortex”.
 
Nas últimas décadas, têm-se realizado muitos avanços na compreensão do bilinguismo. No início, acreditava-se que o bilinguismo era prejudicial, uma vez que a presença de dois vocabulários poderia conduzir a um atraso do desenvolvimento da linguagem nas crianças. Contudo, mais tarde verificou-se que os indivíduos que falavam duas línguas eram, comparativamente com os monolingues, melhores em tarefas que necessitam de atenção, inibição e memória de curto prazo, coletivamente denominados como controlo executivo. 
 
Acredita-se que esta vantagem seja resultante da utilização e gestão das duas línguas a longo prazo. Contudo, ainda existe algum ceticismo sobre se estas vantagens estão presentes, uma vez que nem todos os estudos comprovaram a sua existência. Mesmo que as vantagens sejam robustas, ainda está por clarificar qual o mecanismo envolvido.
 
Foi neste contexto que os investigadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos EUA, decidiram adotar uma abordagem diferente, tendo comparado o volume da massa cinzenta de indivíduos monolingues e bilingues.
 
Na opinião dos investigadores, a experiência com duas línguas e o aumento da necessidade da gestão positiva de forma a utilizar ambas corretamente irá resultar em alterações cerebrais nos indivíduos que falam espanhol e inglês, comparativamente com aqueles que apenas falam inglês. “De facto, nos bilingues foi observada mais massa cinzenta nas regiões cerebrais frontal e parietal, que se encontram envolvidas no controlo executivo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Guinevere Eden.
 
Alguns estudos têm demonstrado que o volume da massa cinzenta do cérebro difere em função das experiências das pessoas. Nomeadamente, constatou-se que os taxistas têm mais massa cinzenta em áreas do cérebro envolvidas na navegação espacial.
 
Neste estudo os investigadores avaliaram se a gestão constante das duas línguas conduzia a vantagens cognitivas e a mais massa cinzenta, como a observada nos indivíduos que falavam espanhol e inglês, ou se estavam envolvidos outros aspetos do bilinguismo, como o facto de ter um maior vocabulário associado às duas línguas.
 
Os investigadores compararam a massa cinzenta de indivíduos que falavam a língula inglesa gestual e oral com a dos indivíduos que falavam apenas inglês. Tanto os indivíduos que falavam a língula inglesa gestual e oral como aqueles que falavam espanhol e inglês partilhavam qualidades associadas ao bilinguismo, como o tamanho do vocabulário. Contudo, contrariamente aos bilingues de duas línguas orais, os que falavam a língula inglesa gestual e oral podem fazer gestos e falar ao mesmo tempo, o que permitiu que os investigadores testassem se a necessidade de inibir a outra linguagem poderia explicar a vantagem do bilinguismo.
 
O estudo apurou que, ao contrário dos bilingues que falavam espanhol e inglês, não foi encontrada qualquer evidência de mais massa cinzenta nos indivíduos que falavam a língula inglesa gestual e oral. ”Concluímos que a gestão das duas línguas na mesma modalidade, em vez de simplesmente de um vocabulário mais amplo, conduz às diferenças que observámos nos bilingues de espanhol e inglês”, conclui um dos autores do estudo, Olumide Olulade.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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