Betabloqueadores aumentam sobrevivência de mulheres com cancro dos ovários

Estudo publicado na revista “Cancer”

26 agosto 2015
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Alguns fármacos utilizados na melhoria da saúde cardíaca podem também ter propriedades anticancerígenas, defende um estudo publicado na revista “Cancer”.
 

Há cada vez mais estudos que sugerem que as hormonas do stress podem estimular o crescimento e a disseminação do cancro. Os betabloqueadores, que são fármacos habitualmente utilizados no tratamento da hipertensão e de outras condições cardíacas, afetam a resposta do organismo ao stress e podem portanto alterar a progressão do cancro.
 

De forma a tentar determinar o potencial papel dos betabloqueadores no prolongamento da sobrevivência dos pacientes com cancro, os investigadores da Universidade do Texas, nos EUA, analisaram os registos médicos de 1.425 mulheres que tinham sido tratadas para o cancro do ovário.
 

Os investigadores verificaram que 193 das pacientes estavam a tomar betabloqueadores, conhecidos como bloqueadores seletivos dos recetores adrenérgicos beta-1 (ADRB1, sigla em inglês), enquanto 79 estavam a tomar antagonistas beta não seletivos.
 

O estudo apurou que as pacientes que estavam a ser medicadas com um betabloqueador não seletivo foram aquelas que obtiveram um maior benefício, comparativamente com as mulheres que não estavam a tomar este tipo de fármacos ou que estavam a tomar os bloqueadores seletivos.
 

A média do tempo de sobrevivência foi de 47,8 meses para as pacientes que tomaram qualquer betabloqueador, comparativamente com os 42 meses para aquelas que não tomaram este tipo de fármacos. Entre as mulheres que tomavam betabloqueadores, a média do tempo de sobrevivência foi de 94,9 meses para as que tomavam betabloqueadores não seletivos, comparativamente com os 38 meses para as pacientes que tomavam os ADRB1.
 

Os investigadores constataram ainda que as pacientes com hipertensão tendiam a ter tempos mais curtos de sobrevivência do que aquelas sem esta condição. Contudo, mesmo entre as mulheres com hipertensão, as que tomavam betabloqueadores não seletivos tinham uma média de tempo de sobrevivência maior do que aquelas que não tomavam este tipo de fármacos.
 

“Alguns estudos anteriores obtiveram resultados conflituosos no que diz respeito à toma de betabloqueadores e os resultados dos pacientes com cancro. Isto pode, em parte, ser devido ao facto de não terem tido em conta o tipo de betabloqueador. Este é o primeiro estudo a analisar as relações dos resultados dos pacientes com base nos betabloqueadores específicos”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Anil Sood.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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