Beta-talassemia e policitemia vera: tratamento com peptídeos sintéticos mostra-se promissor

Estudo publicado na revista “Blood”

11 maio 2016
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A utilização de peptídeos sintéticos, denominado por minihepicidinas, pode ajudar no tratamento de duas doenças sanguíneas genéticas que afetam tanto as crianças como os adultos, a beta-talassemia e policitemia vera, dá conta um estudo publicado na revista “Blood”.
 

Para o estudo, os investigadores do Hospital Pediátrico de Filadélfia, nos EUA, utilizaram minihepicidinas, ou seja, versões modificadas da hormona hepicidina, que regula o ferro. As minihepicidinas, apesar de serem mais pequenas que a hormona, apresentam uma maior estabilidade e uma atividade biológica de mais longa duração, quando administrada em animais. Estudos anteriores demonstraram que o tratamento com as minihepicidinas impedia a sobrecarga de ferro num modelo de ratinho para a hemocromatose, uma doença caracterizada pela absorção excessiva de ferro que está associada à baixa produção de hepicidina.
 

Neste estudo, os investigadores decidiram averiguar como as minihepicidinas afetavam a beta-talassemia e policitemia vera em dois modelos de ratinhos distintos.  
 

A beta-talassemia é resultante de uma mutação que afeta a produção de hemoglobina, o que resulta em eritrócitos defeituosos. Estas células têm uma capacidade reduzida de transportar oxigénio, o que conduz ao desenvolvimento da anemia. No entanto, o organismo continua a acumular ferro, devido aos baixos níveis de hepcidina, conduzindo a um ciclo vicioso que destrói mais eritrócitos e pode causar danos graves no fígado e coração.
 

Por outro lado, na policitemia vera, a ocorrência de mutações raras conduzem à produção excessiva de eritrócitos, o que engrossa gradualmente o sangue, aumentando o risco de hipertensão e trombose, podendo inclusivamente conduzir a um acidente vascular cerebral. Esta doença também causa uma dilação dolorosa do baço. O tratamento padrão da policitemia vera é a flebotomia, que consiste na punção de uma veia para remover o sangue. No entanto, a remoção do sangue não impede a produção excessiva de eritrócitos.
 

No modelo de ratinhos para a beta-talassemia, as minihepicidinas normalizaram os níveis de eritrócitos e aliviaram tanto a anemia como o excesso de ferro. Nos ratinhos mais velhos, o composto melhorou a produção de eritrócitos e não interferiu com a utilização de um quelante utilizado para remover o excesso de depósitos de ferro.
 

Nos animais que expressavam a mutação que causava a policitemia vera, as minihepicidinas também normalizaram a produção dos eritrócitos. Uma vez que a absorção aumentada de ferro mantém a produção descontrolada de eritrócitos, quando as minihepicidinas reduziram a absorção de ferro, isso conduziu a uma diminuição do elevado número de eritrócitos e reduziu a dilatação dos rins.

 

“Caso estes resultados pré-clínicos se reproduzam em humanos, isto poderá representar um novo tratamento para as duas doenças”, referiu o líder do estudo, Stefano Rivella.
 

O investigador acrescentou que nos animais com beta-talassemia o composto bloqueou o ferro de se acumular nos órgãos, mas não removeu o excesso já presente nos órgãos e tecidos. Se as minihepicidinas forem utilizadas em pacientes idosos, estes poderão ter de ser também tratados com quelantes para remover o ferro já acumulado. Contudo, nas crianças, as minihepicidinas poderão impedir a acumulação de ferro e prevenir o agravamento da doença na idade adulta.
 

Stefano Rivella acrescenta que, no caso da policitemia vera, as minihepicidinas podem normalizar a produção de eritrócitos, mas, tal como no caso da beta-talassemia, não irá tratar a causa subjacente da doença.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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