Benefícios e riscos da utilização de antidepressivos durante a gravidez

Estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”

14 agosto 2015
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Um novo estudo levado a cabo pela Universidade de Columbia e pelo Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova Iorque, nos EUA, revela que a utilização de antidepressivos (ou inibidores seletivos da recaptação da serotonina – ISRS) para tratar grávidas com problemas do foro psiquiátrico encontra-se associada a menor risco de determinadas complicações na gravidez (incluindo parto pré-termo e parto por cesariana), embora apresente maior risco de desenvolvimento de problemas neonatais.
 
“Tanto quando saibamos, a associação entre a toma de antidepressivos na gravidez e um risco inferior de parto pré-termo é um novo achado”, revela Alan Brown, autor sénior do estudo, através de comunicado.
 
A investigação, realizada em cooperação com cientistas finlandeses, analisou 845.345 partos simples que ocorreram entre 1996 e 2010, a partir do Registo Médico Finlandês de Nascimentos. Foram ainda avaliados dados nacionais de compra de medicamentos com receita médica, antecedentes psiquiátricos das mães, antecedentes clínicos de saúde materna, fontes hospitalares e profissionais de saúde. As mulheres foram categorizadas em diferentes grupos mutuamente exclusivos – utilizadoras de ISRS; mulheres com diagnóstico psiquiátrico associado à utilização de ISRS, mas sem compras de antidepressivos; mulheres sem diagnóstico e sem registo de compras de antidepressivos – para determinar se os resultados derivavam de transtorno psiquiátrico ou da utilização dos fármacos.
 
Os ISRS são o tipo de antidepressivos mais comum, usados normalmente para tratar sintomas de depressão ou ansiedade durante a gravidez. Um total de 123.817 mulheres do estudo tinham adquirido estes medicamentos durante o primeiro trimestre da gravidez ou 30 dias antes do início da gestação.
 
Os resultados do estudo demonstraram que o risco de parto pré-termo era 16% mais baixo e o risco de parto muito pré-termo era quase 50% mais baixo nas mulheres que tomaram antidepressivos, quando comparado com aquelas que tinham recebido um diagnóstico psiquiátrico, mas que não tinham tomado medicação. 
 
O transtorno psiquiátrico materno sem utilização de medicação foi associado a um aumento do risco de parto por cesariana (26,5%), em comparação com os casos sem diagnóstico ou com compra de medicação antidepressiva (17%). Os cientistas detetaram ainda um risco ligeiramente acrescido de hemorragia durante ou após o parto (3,5%) nas mulheres com diagnóstico psiquiátrico mas sem medicação, em relação àquelas que não possuíam diagnóstico nem registo de compra de medicação antidepressiva (3%).
 
Embora o risco de nascer pequeno para a idade gestacional não tenha diferido entre bebés de mães com ou sem tratamento com antidepressivos, a utilização de ISRS foi associada a um aumento do risco de todos os problemas neonatais, incluindo dificuldades respiratórias.
 
“Os nossos achados fornecem evidências de que a toma destes antidepressivos se encontra associada a um risco inferior de parto pré-termo e cesariana, além de confirmarem os resultados de investigações anteriores acerca de risco acrescido para vários problemas neonatais”, esclarece Brown. Na opinião deste especialista, uma vez que os achados são de certa forma divergentes, “a decisão de prescrever estes medicamentos durante a gravidez deverá ser individualizada e de acordo com os antecedentes clínicos e psiquiátricos das mães”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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